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Baleia Franca – um gigante dos mares que quase foi extinto da costa brasileira

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Baleia Franca – um gigante dos mares que quase foi extinto da costa brasileira

Casos e Contos 12/04/2012
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Com até 18 metros e aproximadamente 60 toneladas, a Baleia Franca Austral pode ser considerada o maior cetáceo que vive na região sul do Brasil. Encontrada principalmente no litoral centro-sul de Santa Catarina, esse curioso animal migra para a costa brasileira entre os meses de junho e novembro em busca de temperaturas mais amenas e águas calmas e rasas para o período de acasalamento e nascimento dos filhotes.

Esse grande mamífero, que já esteve quase a ponto de ser extinto da costa brasileira no século 17 por conta da caça indiscriminada, tem voltado a habitar as águas do nosso litoral desde 1982, ano em que foi criado o Projeto Baleia Franca (PBF) que atua no litoral do estado de Santa Catarina realizando atividades de preservação da espécie. “Desenvolvemos ações diretas de pesquisa e conservação através do monitoramento diário da presença e comportamento das baleias francas ao longo do litoral de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. Além disso, desenvolvemos atividades de alcance social, tanto pelo uso dos animais como ferramenta de educação e promoção cultural nas comunidades costeiras, como pela promoção ativa do turismo de observação da espécie como vetor de geração de emprego e renda, apoiando tecnicamente seu desenvolvimento no sul do Brasil”, explica Karina Groch, bióloga, doutora em Biologia Animal e Diretora de Pesquisa do Projeto Baleia Franca.

O projeto, que existe há 30 anos, já alcançou resultados expressivos para a conservação das baleias no nosso litoral. Um deles é uma das mais relevantes bases de dados sobre abundância, comportamento e distribuição da espécie utilizada para subsidiar a adoção de medidas de conservação de grande alcance. “Outra grande conquista aconteceu no ano 2000 quando foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, Unidade de Conservação gerenciada pelo ICMBio, que protege o mais importante berçário da espécie no Brasil. Graças aos esforços do PBF, a população de baleias francas vem crescendo e se recuperando. Ano passado, registramos quase 200 Francas em nosso litoral, o que premia os esforços contínuos de conservação realizados”, comemora a bióloga. “Uma delas é a Ivone, catalogada pelo projeto em 1999. Ela tem vindo com frequência ter filhotes no litoral catarinense. Ano passado esteve aqui com um novo filho”, complementa.

Turismo de Observação

É na Área de Proteção Ambiental que as baleias podem ser vistas mais facilmente durante a temporada que passam no Brasil. “A espécie também pode ser avistada no litoral norte do Rio Grande do Sul, especialmente na região do município de Torres. Alguns animais podem ser vistos esporadicamente no Paraná, em todo o litoral sudeste e no sul da Bahia, região que corresponde à área de ocorrência histórica da espécie no Brasil. A expectativa no futuro é que com a recuperação populacional as baleias possam voltar a utilizar toda essa área durante o seu período reprodutivo”, avalia Karina.

Como possuem um comportamento dócil e geralmente frequentam as águas rasas, próximas às praias, as baleias francas proporcionam uma sensação inesquecível para quem consegue observá-las de perto. Por conta disso, em 1999, quando a presença destes mamíferos tornou-se mais regular no litoral catarinense, começou a surgir o Turismo de Observação, uma atividade de ecoturismo que visa o desenvolvimento econômico sustentável aliado a preservação ambiental.

Existem duas maneiras de avistar as baleias que visitam o litoral de Santa Catarina: por água ou por terra. “O turismo embarcado, possui um alto valor agregado e pode causar impacto sobre os animais se mal conduzido, mas proporciona um grau de satisfação elevado aos participantes”, comenta Karina. Para garantir o bem-estar das baleias, a equipe que atua no projeto orienta as operadoras autorizadas para desenvolver as atividades de forma sustentável. O PBF também monitora os passeios para que a legislação de proteção aos animais seja respeitada.

O período de realização dessas atividades vai desde julho até novembro, quando as baleias migram para o Brasil. “Para os interessados em fazer o passeio embarcado é recomendável que agendem com antecedência, principalmente se for um grupo com muitas pessoas”, avisa a bióloga. O turismo de observação com barcos só podem ser realizados por empresas autorizadas.

Já a observação em terra pode ser feita independente de operadora. “Informações sobre a localização das baleias podem ser obtidas gratuitamente no mapa de ‘avistagens’ disponível em nosso site, ou pelo telefone (48) 3255 2922. Na sede do Projeto Baleia Franca, na praia de Itapirubá no município de Imbituba (SC), mantemos um centro de visitantes com informações sobre a espécie e sobre as atividades desenvolvidas pelo PBF, além de um deck para a observação das Francas com a orientação da nossa equipe”, comenta Karina.

Para saber mais sobre a baleia franca ou para consultar como funciona o Turismo de Observação, acesse - http://www.baleiafranca.org.br/

Sobre a baleia franca

A baleia franca é facilmente distinguida de outras baleias pela ausência da nadadeira dorsal e pelas calosidades de pele, características da espécie, localizadas na região da cabeça – ao redor do orifício respiratório e da boca. Essas calosidades são formadas de espessamentos da pele infestados por colônias de ciamídeos, também chamados de piolhos de baleia, e são as responsáveis pela coloração branca ou amarelada dos animais. A distribuição dessas calosidades é o que permite a identificação individual, funcionando como uma espécie de impressão digital. Outro item bastante característico dessa espécie são as nadadeiras peitorais no formato de trapézio.

São animais bastante dóceis, lentos e possuem hábitos costeiros durante o período reprodutivo. Alimentam-se principalmente de krill através da filtração de grandes quantidades de alimento aglomerados na superfície da água. As baleias francas não costumam viver em grandes grupos, tanto em áreas de alimentação como em áreas de reprodução.


Juliana Barbosa para Bombarco
Foto: Paulo A.C. Flores / PBF