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Centro de Reabilitação cuida de animais marinhos no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro

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Centro de Reabilitação cuida de animais marinhos no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro

Casos e Contos 29/03/2012
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O litoral norte de São Paulo e o litoral sul do Rio do Janeiro são trechos da costa brasileira que contam com belas paisagens naturais que atraem centenas de turistas, tanto por mar como por terra, além de pescadores que escolhem essa região pela ampla variedade de peixes. A questão é que essas regiões também atraem várias espécies marinhas que seguem até esse ponto da costa em busca de abrigo ou de alimento. Esse “gosto em comum” entre animais e humanos acaba resultando em uma série de acidentes envolvendo espécies que vivem no mar, como golfinhos e alguns tipos de aves, que podem ficar encalhados ou perdidos nesse ponto da costa.

Pensando em trabalhar no resgate e na reabilitação desses animais, em 1998 surgiu o Instituto Argonauta, criado pela equipe do Aquário de Ubatuba e outras pessoas envolvidas com a preservação dos ambientes costeiros com a ideia de criar um centro de reabilitação para animais aquáticos que fossem encontrados precisando de ajuda desde o litoral norte de São Paulo até o litoral sul do Rio do Janeiro, trecho que passa por cidades com grande atividade de turismo e pesca, como São Sebastião, Ubatuba e Angra dos Reis. “Para melhorar esta ação de atendimento aos animais debilitados foi criado o Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Aquáticos, o CRETA, um local que com o apoio do Ibama oferece toda a estrutura adequada para resgatar, atender e reabilitar aves e mamíferos aquáticos encontrados dentro da área que nós atuamos”, explicam Hugo Gallo Neto, oceanólogo e diretor executivo do Instituto Argonauta e Carla Beatriz Barbosa, bióloga e coordenadora da parte de Biologia e Educação Ambiental do projeto.

O Instituto atende principalmente aves e animais aquáticos em diversas situações. “Alguns se perdem do grupo ou de suas mães, outros aparecem machucados por redes e embarcações. Ainda temos alguns animais que aparecem na costa cansados, debilitados e hipotérmicos (temperatura do corpo abaixo do normal)”, conta Hugo. Segundo o oceanólogo, o grupo de animais que mais precisam receber ajuda são as aves, com predominância para os pinguins-de-magalhães, que geralmente chegam às praias debilitados e fracos por terem se perdido do seu grupo e não conseguirem se alimentar. Outras aves, como o atobá e as gaivotas também precisam ser resgatadas com certa frequência, ou por terem sofrido uma queda ou por conta da interferência do homem e de outras razões não naturais.

Já no grupo dos mamíferos, os casos de animais que acabam encalhados ou precisando de ajuda acontecem em períodos diferentes do ano.“Os golfinhos, principalmente os filhotes, ocorrem com maior frequência no verão, já os lobos marinhos geralmente aparecem durante o inverno”, explica Hugo.

Para localizar os animais que chegam às praias debilitados, o Instituto conta a ajuda de turistas, pescadores, moradores da região além de funcionários do Ibama e da Polícia Ambiental que ligam para o Centro avisando sobre algum novo caso. “Cada resgate é feito de acordo com cada espécie, com as condições do local e estado dos animais. O número de pessoas envolvidas e das ações realizadas varia de acordo com cada situação”, conta Carla. “Se o animal precisar ser removido, ele é encaminhado para o Centro de Reabilitação. Lá cuidamos para que ele tenha condições de retornar para o seu habitat. Já os animais que não tiverem condições de retornarem à natureza são encaminhados pelo Ibama para cativeiros licenciados”, complementa a bióloga.

Atualmente o CRETA conta com uma equipe de seis trabalhadores diretamente envolvidos com o projeto. “Além de mim que sou o coordenador geral e da Carla que é coordenadora de Biologia, temos um veterinário e um biólogo de campo e um tratador, além de uma coordenadora da parte de veterinária e um administrador. Também contamos com o apoio de dois oceanólogos, dois biólogos, um veterinário e um administrador”, explica Hugo. Juntos, até o ano de 2011 a equipe já tinha conseguido atender 1.355 aves e 296 mamíferos marinhos.

Entre os casos de resgate bem sucedidos, Carla relembra dois que marcaram os funcionários do Centro de Reabilitação. “Em 2000, sob a coordenação do Hugo, a nossa equipe participou do salvamento de uma baleia Jubarte que estava encalhada na praia do Bonete, em Ilhabela. Depois de sete horas de trabalho ela foi desencalhada e reintroduzida ao mar com sucesso. Há alguns anos esse animal foi visto vivo em Abrolhos, um dos únicos casos em todo mundo deste tipo”, destaca. “Outra situação aconteceu em 2006 quando atendemos a um chamado sobre um animal de grande porte que estaria entre os barcos na marina do Saco do Ribeira, também em Ubatuba. Ao chegarmos lá nos deparamos com um elefante-marinho de 4,86 metros. Esse animal ficou em observação por 12 dias no Centro e depois retornou ao mar”, conta a bióloga.

Além dos cuidados com os animais, o Instituto ainda realiza trabalhos educativos junto às colônias de pescadores, profissionais da área, estudantes e comunidades em geral. “Esses trabalhos visam contribuir com a elaboração de uma rede de informações sobre as ocorrências destes animais seguindo a sugestão do Plano de Ação de Mamíferos Aquáticos do Brasil”, encerra Hugo.

Para conhecer mais sobre o CRETA e o Instituto Argonauta acesse o site - http://www.institutoargonauta.org/capa.asp

 

Juliana Barbosa para Bombarco
Foto: Divulgação / Projeto CRETA