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Coral - Sol, bonita e perigosa

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Coral - Sol, bonita e perigosa

Casos e Contos 28/12/2009
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Biólogos do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Terra e Mar localizaram no mar da região de Ilhabela, litoral Norte de São Paulo, exemplares de Coral-Sol do gênero Tubastraea. O que os especialistas sabem até o momento é que se trata de uma espécie invasora, que compete diretamente com o Coral Cérebro (da espécie Mussismilia híspida) nativa da região.

“Por se tratar de uma espécie invasora, começamos os estudos para saber o quanto eles incidem na região e o quanto poderão prejudicar o ecossistema local”, alerta o pesquisador Alberto Lindner, do Cebimar.

No Brasil, a espécie invasora foi encontrada pela primeira vez no final dos anos 80, em plataformas de petróleo na Bacia de Campos. Mais tarde, já no final da década 90, foram apontados novos registros na Baía da Ilha Grande, no Rio de Janeiro.

Segundo o pesquisador, a invasão da espécie teria ocorrido de forma acidental pelo próprio homem, já que se trata de uma espécie que se aloja em estruturas não-naturais. Na região da Ilha Grande há um intenso movimento de navios, além de um terminal de manutenção de plataformas de petróleo.

Recentemente, o Coral-Sol também foi encontrado em Arraial do Cabo (RJ) e numa plataforma de petróleo em Santa Catarina. Até então, a espécie não era encontrada na costa do estado de São Paulo e na região sul do País.

Encontro acidental

Recentemente, o biólogo e instrutor de mergulho Gilberto Gardino Mourão, da ONG Instituto Terra e Mar, de São Sebastião (SP), encontrou exemplares de Coral-Sol a uma profundidade de 15 metros, em Ilhabela.  

O mergulhador também coletou amostras que estão sendo estudadas pelo Cebimar para confirmar se a espécie já se alastrou na região ou é apenas um ponto isolado. “A partir dessas pesquisas avaliaremos como lidar com a invasão”, relata Lindner.

Espécie nociva

Desde 2000, o professor Joel Creed, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), estuda a situação das duas espécies de Coral-Sol que são encontradas no litoral fluminense, o Tubastraea coccinea e o Tubastraea tegusensis. “Na baía de Ilha Grande, por exemplo, a espécie está alastrada nos costões tanto da ilha quanto do continente. No canal da Ilha Grande há outras ilhas que também tiveram suas costas atingidas pelo Coral-Sol”, revela.

Segundo Creed, a espécie é exótica e nociva ao ecossistema local. Por habitar regiões rasas, em média 10 a 15 metros, o Coral-Sol impede a fotossíntese de outros organismos marinhos. “Pelas fotos que vi de um exemplar coletado na Ilhabela, o coral pode ter entre cinco e seis anos”, estima.

Ainda de acordo com o pesquisador, a espécie leva, em média, de um ano a 18 meses para se reproduzir. “Para corais, trata-se de um tempo rápido”, salienta o cientista.

Caso seja verificado que a incidência dos corais em Ilhabela seja realmente baixa, o pesquisador recomenda a sua imediata extração.

Já no litoral do Rio de Janeiro, conforme o pesquisador, a situação é crítica. “Chegou-se a um ponto em que talvez seja necessário financiamento de empresas responsáveis por plataformas de petróleo ou mesmo dos governos estadual, federal ou municipal”, avalia.

Para viabilizar a erradicação da espécie invasora, o cientista também coordena o Projeto Coral-Sol. A iniciativa reúne pescadores e a comunidade dos locais atingidos pelo coral e instrui-os a retirar a espécie do mar. “Com o esqueleto dos corais, os ‘catadores’ podem fazer objetos artesanais e souvenirs”, revela o professor.

Agência USP
Fotos: Alberto Lindner (Laboratório da Cebimar/USP) e Gilberto Gardino Mourão