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Instituto Laje Viva mantém ações para preservar e proteger o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos

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Instituto Laje Viva mantém ações para preservar e proteger o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos

Casos e Contos 19/12/2011
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Criado em 2003, o Instituto Laje Viva nasceu após decisão de um grupo de mergulhadores indignados com as frequentes notícias de embarcações de pesca ilegal em uma área de preservação ambiental. A ideia inicial era ajudar as autoridades com a fiscalização local e também proteger o parque da pesca subaquática e comercial, ambas predatórias. Hoje, o Instituto mantém diversos projetos para implementar ações que visem a preservação e proteção do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS).

De acordo com a diretora-presidente do Instituto, Ana Paula Balboni Coelho, uma das fundadoras do Instituto, todo o trabalho é feito em conjunto com o biólogo e diretor científico, Osmar Luiz Junior. “Aprendemos que a maneira mais eficaz de se praticar a proteção ambiental é conhecendo o que queremos preservar. Assim, percebemos que afirmativas sem o acompanhamento de estudos científicos não se sustentam. Ou seja, se quiséssemos ter razão em nosso agir, deveríamos basear nossas ações em fatos científicos”, explica.

Ana Paula conta que a partir de então foram desenvolvidos diversos trabalhos científicos, como por exemplo, o levantamento de espécies de peixes incidentes no Parque Estadual, que resultou na publicação de um estudo mostrando as 196 espécies diferentes de peixes.

Atualmente, um dos projetos que está em destaque é o Mantas do Brasil, que se baseia em um estudo da população e das rotas migratórias de uma das maiores espécies de peixe do mundo: a Manta Birostris, nome científico da popular arraia jamanta (ou manta, raia-manta, peixe diabo, devil Ray, em inglês). Ela pode atingir até sete metros (de uma ponta da asa à outra) e pesar mais de duas toneladas. O projeto é coordenado por Guilherme Kodja e tem o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Ana conta que o Mantas do Brasil ajuda a preservar a espécie, que se encontra na lista de animais ameaçados de extinção da IUCN. “Um dos primeiros passos é obtermos um banco de dados com o maior número de mantas que pudermos fotografar e catalogar. Cada uma delas tem manchas ventrais únicas, ou seja, é como se fosse uma impressão digital”, explica.

A diretora-presidente ainda ressalta que um dos maiores objetivos do projeto já foi atingido. “Conseguimos provas científicas de que os mesmos animais retornaram em anos diferentes ao Parque Estadual Marinho da Laje de Santos. Em um universo de 70 mantas cadastradas e batizadas, três delas voltaram com alguns anos de intervalo entre uma visita e outra”, diz.

Além disso, o projeto visa, ainda, implantar tags eletrônicos em alguns deles. Desta forma, a rota, profundidade de navegação, temperaturas da água, entre outros itens, ficarão armazenadas podendo ser transmitidas via satélite. “Com isso, podemos conhecer mais sobre o comportamento destes animais. Pretendemos ainda lutar por uma legislação que possa proteger suas rotas migratórias. Além disso, provando que a população de arraias gigantes é minúscula e frágil, queremos batalhar por uma lei que proíba sua pesca”, afirma.

Ana Paula destaca, ainda, o retorno financeiro que a preservação pode trazer. “É importante que nossas autoridades compreendam que existem produtos para a indústria de pesca e para o turismo. Animais como arraias, tubarões e mamíferos marinhos trazem muito mais recursos quando vivos. Por exemplo, um tubarão morto, se come uma única vez, mas vivo, atrai milhares de turistas por muito tempo para uma determinada região. É o mesmo que acontece com a visita das arraias gigantes no inverno”, salienta.

Ela ressalta que é importante os pescadores compreenderem que a preservação de áreas estratégicas envolve a recuperação de populações de peixes, de modo que ele também possa ter o que comer. “Não somos inimigos da pesca, muito pelo contrário: apenas lutamos para que a pesca em nosso litoral aconteça cada vez mais, de forma sustentável. Se não for assim, faltará peixe na mesa de todos”, avalia.

Outro ponto considerável destes trabalhos é o modo como são levados estes resultados ao público leigo. “Uma das formas que encontramos para divulgar a existência do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a importância de sua preservação foi a publicação do livro fotográfico ‘Laje de Santos, Laje dos Sonhos’. Ele foi escrito em duas línguas, dividido em dez capítulos de temas diversos e repleto de belíssimas imagens. Centenas de exemplares foram doados às Secretarias de Cultura, de Meio Ambiente, de Educação e de Turismo da Baixada Santista”, conta.

A diretora-presidente fala também sobre as dificuldades que o Instituto enfrenta. “Nossa embarcação é muito velha e nem sempre está em condições de uso. O local que estudamos é distante, às vezes não conseguimos estar presente em função das condições de mar. Lembrando que ‘estar lá’ não significa que os resultados sejam fáceis de serem obtidos. Outro ponto é que uma arraia gigante não é avistada a qualquer hora no inverno e quando são vistas, a aproximação não é tão fácil. Sem contar a dificuldade de tirarmos uma boa foto e conseguirmos a posição exata para implantar um tag sob a pele do animal”, conta.

De acordo com Ana Paula, ainda há pretensão de expandir este projeto, contudo a situação é complicada. “Quase todo o trabalho do Instituto é baseado em mão de obra voluntária. Infelizmente poucas pessoas colocam a mão na massa desta forma. Acredito que elas precisem ter mais consciência sobre a importância de cada um fazer a sua parte, de se envolver nas causas que acredita e lutar por elas. Sentar e esperar que o governo local faça algo não adianta. Por isso, para expandir precisamos buscar recursos, patrocínios e investimentos que sustentem os projetos”.

Mais informações no site www.lajeviva.org.br.

Laíla Kamegasawa para o Bombarco
Foto: Divulgação