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Morando no veleiro: Como é a vida de famílias que decidiram viver a bordo

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Morando no veleiro: Como é a vida de famílias que decidiram viver a bordo

Casos e Contos 01/09/2014
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Muitos velejadores apaixonados por seus barcos e pelo mar não passam um fim de semana sequer sem subir a bordo de seus veleiros. Mas, para algumas pessoas, apenas algumas horas ou dias no mar não são o suficiente e, por isso, elas decidiram abandonar os confortos da vida em terra firme e adotaram um veleiro como lar.


Inspiração

A família Schurmann passaram 10 anos, de 1984 a 1994, viajando pelo mundo a bordo de um veleiro, se tornando a primeira família brasileira a dar a volta no globo velejando e inspirando muitas outras famílias a seguirem o mesmo caminho, como Nelson Mattos Filho e Lúcia Mattos. O casal vice a bordo do veleiro Avoante, um Velamar 33, desde 2005 e não tem previsão de voltar para vida em terra firme. “Algum dia sim, mas como não sabemos quando, preferimos continuar seguindo em frente,” afirma Nelson.

Escolher o veleiro foi fácil ou, como Nelson diz, destino: “Na época estávamos a procura de um barco, quando surgiu o Avoante em Natal, voltando rebocado pela Marinha do Brasil, depois de participar de uma Refeno. O veleiro estava sem mastro e com o motor batido. Uns amigos nos indicaram o barco e fomos visitar. Na mesma hora fechamos o negócio.”


Motivação

O motivo para mudar para o mar foi “a procura por um mundo que sabíamos existir” e o motivo para ficar é “saber que vivemos uma vida que nos dá possibilidade de fugir de muitos traumas urbanos. A vida nas cidades está muito complicada e incrivelmente sem leis,” conta Nelson, que também escreve um blog, assina uma coluna semana no jornal Tribuna do Norte e lançou recentemente o livro Diário do Avoante, que reúne 50 das 100 primeiras crônicas publicados pelo velejador no periódico potiguar – o Avoante tem como porto seguro o Rio grande do Norte, mas o casal já conheceu boa parte do litoral nordestino e planeja conhecer toda costa brasileira.

Em terra, os velejadores passam apenas o tempo necessário para sentir saudade do barco: o menor possível. E garantem que a adaptação à vida a bordo foi excelente. “Nunca sentimos falta de nada. Viemos com vontade de estar bem a bordo e acho que isso fez a diferença. Nunca procuramos motivos para insatisfações. Moramos há nove anos no Avoante que nem geladeira tem e isso nunca foi motivo para desistir e nem se sentir com menos conforto. A vida é feita de prioridades e a nossa é ser feliz,” conta Nelson.


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Construindo uma família a bordo

Outra história de quem trocou a vida comum do continente pela aventura a bordo é de Cecília Quaresma, Fabio Gandelman e Igor Gandelman, e a matriarca da família explica que “nunca decidimos morar num veleiro, aconteceu”.

Fabio trabalhou durante três anos e meio na construção do veleiro Planckton, um Vini Nautos 42, no estaleiro Thierry Stump, no interior de São Paulo. Em 2003, o barco foi para água com seu idealizador a bordo. Um ano e meio depois, Cecília conheceu Fabio: alugou o barco para velejar e os dois acabaram se apaixonando. Em 2006, a tripulação do Planckton ganhou mais um membro. E em setembro de 2007, subiu para três, com a chegada de Igor, filho do casal. “Cada um foi chegando a seu tempo, e encontrando seu espaço, se adaptando,” conta Cecília. “E foi lindo!”

“A nossa motivação foi, é claro, viver a vida com aventura! E viver de forma mais simples e natural, em contato com a natureza,” explica a velejadora. “No mar não dá para assistir à natureza apenas de forma bucólica. Vivemos completamente inseridos na natureza, e o que acontece neste habitat nos afeta diretamente e muitas vezes pede nossa ação. Se ventar muito pode ser que você tenha que acordar a noite e sair na chuva. Mesmo assim nossas motivações para morar a bordo hoje são mais fortes do que antes,” completa.

No quesito adaptação, a velejadora garante que foi tranquilo. “Quando o Igor nasceu eu já morava no barco, já estava completamente adaptada. Já tinha viajado para ilha da Trindade, já tinha subido a costa para participar da Refeno, e voltado,” explica Cecília – o barco fica ancorado em Paraty (RJ). “O barco teve de se adaptar a ter uma mulher a bordo, ficou mais aconchegante e ganhou uma cozinha completa. No início não tínhamos nem geladeira, hoje temos freezer e geladeira. Geramos energia com placas solares,” explica. Sobre as limitações que a vida em um barco traz, Cecília só lamenta a falta de espaço – “Eu adoraria ter uma máquina de lavar roupas” – e gostaria que a internet tivesse uma conexão melhor.

“O Igor já nasceu morando no barco, por isso nem houve uma adaptação. Ele é superintegrado a todas as atividades do barco. É o nosso aprendiz. Para nós o maior desafio de morar a bordo é o financeiro,” completa Cecília. A família trabalha com passeios e cursos a bordo do veleiro, mas o tempo passado em terra tem sido grande atualmente, por causas das atividades de Igor, como o Jardim de Infância, e o casal está juntando dinheiro para a próxima viagem. “Desde 2004 não houve um ano em que fizemos uma viagem, até 2011, quando voltamos da viagem dos Açores,” conta a velejadora.

Aos velejadores que também sonham transformar seu barco numa casa, Cecília dá alguns conselhos: “[Eu diria para a pessoa] se capacitar saber não apenas velejar, mas também ser capaz de fazer consertos, de entender como barco funciona, onde estão todas as conexões hidráulicas, e também saber fazer navegação, usar os eletrônicos, e saber ler uma carta sinótica e entender a previsão do tempo e os regimes de vento da região em que está”.

Quem prefere navegar movido a motor pode conferir a história de Dadi e Denise, que estão dando a volta ao mundo a bordo de um trawler!


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Foto: Nelson Filho Mattos.