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ONG Brasileira trabalha, em Cuba, para salvar animais marinhos atingidos pelo vazamento de petróleo no Golfo do México

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ONG Brasileira trabalha, em Cuba, para salvar animais marinhos atingidos pelo vazamento de petróleo no Golfo do México

Casos e Contos 23/06/2010
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A Sea Shepherd Conservation Society (SSCS) lançou, no último mês, uma campanha para salvar a vida marinha no Golfo do México. A catástrofe que o vazamento de petróleo da companhia British Petroleum (BP) causou e vem causando desde que a plataforma "Deepwater Horizon" explodiu no dia 20 de abril, toma proporções cada vez mais devastadoras.

Diversos recursos para conter o vazamento já foram colocados em prática e parece que nada tem adiantado. “Trata-se de uma emergência e um ataque massivo a um grande ecossistema marinho”, publicou a organização americana em seu site seashepherd.org.

Mas o que aconteceu a milhares de quilômetros daqui também alarmou ONGs brasileiras. O Instituto Sea Sherpherd Brasil (ISSB), que fica em Porto Alegre, logo se movimentou para entrar nessa junto com os voluntários americanos: “Estávamos nos preparando para enfrentar mais essa batalha, quando fomos impedidos pela embaixada americana de participar da campanha junto com a organização dos EUA”, explicou Daniel Vairo, diretor-geral voluntário do ISSB.

Após o impedimento, os voluntários brasileiros partiram rumo a Cuba para ajudar o país a enfrentar o desastre ambiental que atinge toda a costa norte cubana, cercada de uma fauna incrível. “Somos uma operação dentro da campanha”, diz Vairo.

Ainda segundo o diretor da ISSB, o enfoque das ONGs americana e brasileira diferem-se. “A SSCS procura conseguir o maior número de embarcações para retirar os animais das águas tomadas pelo óleo. O ISSB procura capacitar veterinários, biólogos e outros voluntários para enfrentar desastres ambientais como este. E queremos, cada vez mais, multiplicar o nosso trabalho”.

Questionado pelo Bombarco sobre a situação do Brasil em caso de tragédias ambientais como a que ocorre no Golfo do México, Daniel Vairo revela: “O Brasil corre um risco muito grande pela exploração crescente do petróleo. Ainda mais pelo fato de as correntezas seguirem de sul para norte. Se houver um derramamento no Rio de Janeiro, por exemplo, toda a costa brasileira será atingida”.

Toda essa preocupação de ONGs que protegem os oceanos é totalmente deixada de lado pelos governantes. Em palavras de Vairo, o Brasil, assim como Cuba, é um País totalmente despreparado para enfrentar desastres ambientais causados pelo petróleo. Não existe nenhum sistema de contingência. Não é interessante economicamente para o governo. Temos como exemplo o que aconteceu em 2000, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, quando o derramamento de óleo atingiu toda a comunidade de pescadores. “É revoltante ver o governo não apoiar estes tipos de causas, apenas por não interessar financeira e economicamente. O papel da mídia nesses casos é vergonhoso. Ela ratifica e esconde tragédias ecológicas”, afirma Vairo.

Um exemplo sobre o papel da mídia na cobertura de desastres ambientais é o derramamento de óleo no Rio Grande do Sul há pouco tempo. O caso atingiu todo o litoral sul. O ISSB junto ao Ministério e a Polícia Federal investigou o caso para encontrar os culpados, mas não obtiveram sucesso. “A mídia mais uma vez escondeu o caso e até agora não encontramos os culpados”, finaliza o diretor do ISSB.


Sobre a Sea Sherpherd Conservation Society
É uma organização não-governamental oficialmente fundada no estado de Oregon, nos EUA, em 1981. Já havia a idéia de sua criação quando o Capitão Watson fundou a Earth Force Society em Vancouver, no Canadá, em 1977. O objetivo inicial de ambas as organizações era o de proteção e conservação dos mamíferos marinhos, visando, como meta imediata, o fim da caça ilegal às baleias e focas, porém, posteriormente, a Sea Shepherd expandiu sua missão, incluindo toda a vida marítima.

Em 1978, com apoio financeiro de Cleveland Amory, do Fund for Animals, a Sociedade comprou seu primeiro navio, o inglês Westella, e rebatizou-o de Sea Shepherd. Sua primeira missão foi viajar rumo às águas gélidas do Leste do Canadá para interferir na atual matança de filhotes de focas harpa, conhecidas como “casaco branco”.  No mesmo ano, a Sea Shepherd perseguiu e abalroou o notório navio baleeiro Sierra num porto português, pondo fim à sua infame carreira de fantasma dos mares.

O sucesso da campanha contra a caça às focas e o abalroamento do Sierra marcaram o início das 160 viagens históricas da Sea Shepherd durante as próximas duas décadas, assumindo um papel de fiscalização e execução de leis internacionais de conservação onde elas não se aplicam,em alto-mar.

A Sea Shepherd continua realizando sua missão, apoiando e fazendo cumprir tratados internacionais, como acordados pela Carta Mundial da Natureza das Nações Unidas, comprometendo-se com a erradicação da caça ilegal de baleias; contra o assassinato de tubarões para uso de suas barbatanas, a destruição de habitats, os crimes contra a vida marinha e a violação de leis que regem os oceanos.

Mais informações acesse www.seashepherd.org

Sobre o Instituto Sea Sherpherd Brasil
O Instituto Sea Shepherd Brasil foi oficialmente fundado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em maio de 1999. A vontade de tornar a organização conhecida no Brasil já existia desde 1994 - motivada pelo embarque de Daniel Vairo, voluntário da Sea Shepherd Conservation Society - mas a construção do Instituto se deu por um processo longo, entre 1995 e 1998, com o apoio e dedicação do biólogo Alexandre Castro.

O objetivo inicial era formar mais uma rede de apoio exclusivo para as campanhas internacionais do Capitão Paul Watson e da Sea Shepherd Conservation Society, assim como os demais escritórios ao redor do mundo funcionam. Porém, devido a grande biodiversidade marinha, a falta de fiscalização das áreas marinhas e a crescente exploração pelo petróleo no Brasil, optou-se pela criação do primeiro, e até hoje o único, escritório da Sea Shepherd com total autonomia da matriz internacional, dedicada a conservação da vida marinha no Brasil.

Todas as ações do Instituto Sea Shepherd Brasil fazem parte do Programa de Estudo e Conservação da Vida Marinha, que é composto de quatro áreas: fiscalização e denúncia, educação ambiental, treinamento e suporte técnico. Desde 2002 o Instituto Sea Shepherd Brasil também trabalha diretamente para apoiar as campanhas internacionais do Capitão Paul Watson e da Sea Shepherd Conservation Society, em especial as campanhas a Antártica cujo objetivo é de acabar com a caça ilegal às baleias.

Mais informações acesse: www.seashepherd.org.br

Bruna Sales e Vanessa Xavier da agência Casa da Notícia para Bombarco
Foto: Sea Shepherd