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Os 30 anos do Projeto Tamar

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Os 30 anos do Projeto Tamar

Casos e Contos 22/11/2010
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Mais de 20 mil desovas monitoradas e 900 mil filhotes de tartarugas liberados ao mar anualmente. O Projeto Tamar monitora e protege cinco espécies de tartarugas, que vivem no litoral brasileiro e que mesmo tendo proteção, ainda se encontram em alto índice de extinção:

Apesar das três décadas de ação permanente de conservação e pesquisa, as tartarugas marinhas continuam ameaçadas de extinção. Vale lembrar que 30 anos, coincidentemente, é a idade que uma tartaruga marinha leva, em média, para atingir o estágio adulto. Portanto, esta é a primeira geração protegida pelo Tamar”, explica Betânia Ferreira, coordenadora técnica da base do Projeto Tamar, na Bahia.

Nesses 30 anos de atuação o Projeto já ajudou mais de 10 milhões de tartarugas. O Tamar atua em cerca de 1.100 km de litoral e áreas oceânicas, com 23 bases de pesquisa, instaladas nos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

A ocorrência de animais e, principalmente, tartarugas marinhas debilitadas, encalhadas e, muitas vezes, mortas são causadas pela pesca incidental e estão presentes em toda costa do Brasil.

Segundo Betânia Ferreira, desde 2001, o Projeto Tamar em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolve um programa para reduzir efeitos da pesca que prejudique a vida dessas tartarugas, que vêem até o nosso litoral, assim como outros animais marinhos para a desova, reprodução e alimentação:

A parceria deu possibilidade a criação do Programa para a Redução da Captura Incidental de Tartarugas Marinhas pela Pesca, que estuda, desenvolve e testa medidas que reduzam o efeito das pescarias sobre as tartarugas marinhas”, comenta.

Ainda segundo a coordenadora, outro fator que ameaça a vida saudável dessas tartarugas em todos os oceanos é a ingestão de resíduos. Estudos recentes realizados no litoral norte da Bahia encontraram resíduos no estômago de 60% dos animais pesquisados – e os mais frequentes eram pedaços de fios de nylon:

O número de sacos plásticos encontrados em animais necropsiados pelos pesquisadores do Tamar também assusta”, revela Betânia. 

Colaboradores

O Projeto Tamar promove a geração de trabalho para cerca de 1.300 pessoas – 85% pertencentes às comunidades locais das cidades em que tem base. Possibilita ainda o treinamento de cerca de 300 estudantes e recém-formados no Brasil e no mundo por ano.

Caso recente

No dia 6 de outubro, o Projeto Tamar realizou o salvamento da Tartaruga de Couro, a maior das cinco espécies encontradas na costa do litoral brasileiro. O animal estava enroscado em uma rede de pesca, na foz do Rio Doce, próxima a base de Comboios do Projeto Tamar, no Espírito Santo. Segundo Henrique Filgueiras, executor técnico de Comboios, a base foi acionada por um pescador da região:

Um pescador informou ter observado uma tartaruga gigante presa em uma rede na foz do Rio Doce. Fomos até lá, mas a condição do mar ruim e a falta de luz natural não permitiram a operação. No dia seguinte, pensando que o bicho já tinha morrido, saímos para localizar a tartaruga. Felizmente, depois de algumas rodadas por redes e bóias, localizamos o animal ainda vivo. Estava enrolado nas cordas da rede, mas ainda conseguia respirar e conseguimos libertá-lo”, relata.

A tartaruga de couro (Dermochelys coriacea), também conhecida como tartaruga gigante, pode chegar a pesar 800 kg. A costa do Espírito Santo é o único local de desova desta espécie no Brasil. É a tartaruga que tem o menor número de fêmeas desovando, variando de 4 a 12 por ano.

Este acontecimento alerta para o ainda crescente número de redes, fruto da intensificação da pesca e da diminuição do pescado, que exige cada vez mais redes para pescar menos peixes”, finaliza Henrique Filgueiras.

Bruna Sales para Bombarco
Foto: divulgação / Projeto Tamar