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Projeto Lontra, em Santa Catarina, atua há mais de 20 anos em defesa da espécie

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Projeto Lontra, em Santa Catarina, atua há mais de 20 anos em defesa da espécie

Casos e Contos 13/02/2012
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Animais de comportamento tímido e ao mesmo tempo curiosos que habitam rios, lagoas, ilhas costeiras, manguezais, praias e costões rochosos. Essas são as lontras, mamíferos semiaquáticos que podem atingir cerca de 1,60 metros de comprimento, incluindo a cauda, e pesar, em média, cerca de 20 quilos.

Conhecida como a “onça da água”, as lontras se locomovem no meio aquático com extrema facilidade. E, talvez seja por toda essa agilidade que os animais dessa espécie não gozam de uma “boa reputação” junto a maricultores, que alegam que elas danificam as lanternas de ostras, e com proprietários de Pesque & Pague e piscicultores, que reclamam que as lontras entram nos açudes para comer os peixes. Além de enfrentar esses “desentendimentos” com profissionais que também dependem dos rios e lagos para viver, as lontras ainda precisam vencer outros obstáculos em seu dia-a-dia, como a diminuição drástica da mata de galeria e vegetação ripária ao longo dos rios, atropelamentos, envenenamentos, além de ataques e doenças transmitidas por cachorros de rua que vivem soltos em unidades de conservação.

É por conta de todos esses fatores que atrapalham a vida destes animais, que hoje a espécie é considerada como ameaçada, na categoria “vulnerável”, segundo critérios da IUCN (International Union for Conservation of Nature), programa que cuida da preservação da natureza ao redor do mundo. Em Santa Catarina, a espécie também foi considerada como “vulnerável” pelo Instituto Ekko Brasil, ONG que desenvolve ações de preservação da espécie e conscientização ambiental. “Aqui em nosso estado, por exemplo, apenas 20% de mata ciliar ainda persiste ao longo dos principais rios como o Rio Itajaí-Açu e o Rio Uruguai. A previsão é que 30% da população de lontra diminua nos próximos 10 anos”, explica Carvalho Júnior, oceanógrafo, gerente de projetos e pesquisa do Instituto.

É para tentar mudar e melhorar a situação desses animais que o Instituto Ekko Brasil desenvolve desde 1986, em Santa Catarina, o Projeto Lontra, que integra ações de preservação à espécie com projetos de educação ambiental para promover a mobilização social pela causa das lontras.

Preservação da espécie


Na parte de preservação, o Instituto mantém um criadouro científico utilizado para pesquisa licenciado pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e que atua em parceria com a Polícia Ambiental.

No Refúgio Animal, como foi batizado o espaço, técnicos e pesquisadores do projeto realizam ações de resgates, reabilitação e recuperação dos animais. “Lontras adultas e selvagens são recuperadas o mais rápido possível e soltas novamente no ambiente natural. Filhotes recém-nascidos não podem ser soltos, pois o risco é muito grande e ainda não existe um protocolo de manejo e soltura para tal. Esperamos ter um plano em breve para isso, mas por enquanto os filhotes são recuperados e permanecem sob custódia do projeto em recintos especialmente projetados para eles. Estes animais são utilizados para pesquisas de fisiologia e comportamento em cativeiro, além de servirem para a própria educação ambiental, através de visitas agendadas e controladas de escolas”, explica Carvalho.

Fora do Refúgio Animal, o projeto realiza trabalhos no habitat natural das lontras para aprofundar os conhecimentos sobre a espécie. “Na natureza monitoramos tocas e coletamos excrementos para monitorar a composição da dieta, pois através da análise de DNA desse material podemos realizar estudos fisiológicos para saber o tamanho da população, época de reprodução, entre outros dados. Através da radiotelemetria conseguimos estudar os deslocamentos dos indivíduos e com os pêlos que encontramos podemos verificar a concentração de metais pesados no ambiente, entre outras coisas. O próprio ecossistema como um todo pode ser monitorado através da lontra. É muito trabalho, mas é recompensador e estimulante. Existem muitas questões a serem respondidas com relação à espécie e aos ambientes onde ela vive”, explica o oceanógrafo.

Para realizar todas essas atividades desenvolvidas pelo Instituto, o projeto conta com uma equipe fixa de sete pessoas que inclui biólogo, oceanógrafo, gerente de marketing, engenheiro de aquicultura, veterinário, técnico ambiental e secretária. “Todos trabalham integrados e são muito unidos. O clima é excelente, muito a vontade e estimulante. Outras equipes são formadas dependendo do projeto e são mais transitórias, elas se desfazem depois que o trabalho termina”, diz o gerente.

Dependendo do caso, a equipe chega a se revezar 24 horas por dia para garantir o melhor atendimento para as lontras acidentadas que chegam até o Instituto. As causas dos acidentes são as mais variadas: atropelamentos, ataques de cachorros ou envenenamento. Nestas situações, as lontras são colocadas em quarentena e recebem cuidados 24 horas. “Qualquer alteração no quadro clínico precisa ser detectada de pronto, senão pode ser fatal. Em questão de minutos o animal pode morrer caso não seja medicado naquele momento. A situação é sempre muito crítica, muito tensa”, conta Carvalho.

Nestes mais de vinte anos de trabalho, o projeto já conseguiu recuperar e devolver para a natureza quatro lontras adultas. O oceanógrafo conta que depois que o animal recebe o tratamento, ele é solto o mais rápido possível para que não se acostume com a presença do ser humano. E apesar de considerar que o grupo coleciona mais casos de sucesso do que fracassos, Carvalho diz que em alguns momentos é preciso ser forte pra amparar outros membros da equipe. “Uma vez uma lontrinha recém nascida muito debilitada acabou morrendo. Um dos nossos pesquisadores quase ‘pirou’, ficou fazendo respiração boca a boca, chorando e abraçando o bichinho. Foi muito difícil, esses momentos são muito dolorosos”, lembra.

Educação ambiental


Além de ser utilizado como espaço para reabilitação das lontras, Refúgio Animal também é aberto ao público em visitas agendadas e guiadas por um responsável do projeto. O passeio tem início no Engenho da Lontra – Centro de Visitação e Educação Ambiental, onde o público assiste a um vídeo e participa de uma palestra sobre o projeto. Depois, elas seguem por um tour onde podem ver as lontras em cativeiro, conhecer o laboratório de pesquisa, o ambulatório veterinário e o alojamento dos voluntários e pesquisadores. A taxa para a visita é de R$ 10 para adultos e R$ 5 para crianças. “Todo o dinheiro arrecadado é revertido para as ‘lontrinhas’ em cativeiro”, avisa Carvalho.

Outra atividade de educação ambiental realizada pelo Instituto é o Projeto Pró-Lontrinha, voltado para crianças e jovens de três até quatorze anos que freqüentam os “NEI’s – Núcleos de Educação Infantil em escolas do ensino público na região. O projeto atende cerca de 160 crianças ao mês que participam de atividades de visitação na sede do projeto onde são realizadas atividades relacionadas ao tema de preservação do meio ambiente.

Sobre as lontras


Lontras (Lontra Longicaudis) são animais que passam a maior parte do tempo na água, indo para a terra para comer, descansar e acasalar, entre outras atividades.

Possuem membranas entre os dedos que os auxiliam na propulsão além da cauda semi-achatada e longa, eficiente como leme e para o equilíbrio. Elas também contam com uma membrana ocular que abre e fecha conforme o animal está dentro ou fora d’água, o que lhe proporciona uma visão perfeita nas duas situações. É altamente especialista em relação a sua dieta, e se alimenta 70% de peixe, 20% de crustáceos e 10% de aves, mamíferos e répteis.

Uma lontra pode ter de 1 a 3 filhotes que vivem durante um bom tempo com a mãe, que não permite que o pai tome parte na educação dos filhos. Os filhotes abandonam a progenitora com um ano de idade.

São animais solitários e não territorialistas, por isso a população de um local é sempre pequena. Para que sejam viáveis geneticamente elas precisam se deslocar constantemente de uma bacia hidrográfica para outra, o que representa um perigo para a espécie, já que devido a fragmentação dos habitats naturais e a inexistência de corredores ecológicos entre as unidades de conservação, as lontras passam por grandes perigos enquanto muda de um local para o outro.

Serviço:


Projeto Lontra – Instituto Ekko Brasil
Lagoa do Peri, s/n
Telefone: (48) 3237 5071
Para mais informações: www.ekkobrasil.org.br

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Juliana Barbosa para Bombarco
Foto: Divulgação