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Classes de velas

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Classes de velas

Esporte náutico e Lazer a Bordo 05/10/2009
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Não é somente no futebol ou no vôlei que os atletas brasileiros têm fama de vencedor. O Brasil também é o país da vela, pelo menos se for considerado o desempenho nos jogos olímpicos. A modalidade é a que mais rendeu medalhas olímpicas ao país, 16 no total - seis de ouro, três de prata e sete de bronze.

As competições de vela são formadas por uma série de regatas, divididas em várias classes – como são conhecidas as categorias do esporte. Variam conforme o tamanho do barco, especificações técnicas, número de tripulantes e o respectivo biótipo de cada atleta.

Atualmente, a Federação Internacional de Iatismo (Isaf) reconhece 98 classes internacionais, desde uma pequena embarcação da classe Optimist até os Multihull.

No entanto, apenas algumas classes participam dos jogos olímpicos.

Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, apenas sete classes, entre feminino e masculino, irão disputar as provas. As competições serão realizadas no porto de Weymouth, a 195 quilômetros da capital inglesa. Conheça mais sobre as classes que estarão nos próximos jogos olímpicos:

470
Projetada na França por André Cornu, em 1963. O barco é utilizado tanto nas provas masculinas quanto femininas. Os 470 centímetros do comprimento da embarcação justificam o nome da classe. Para dois tripulantes (comandante e proeiro), a embarcação possui três velas. Sua principal característica é a velocidade e a sensibilidade de movimento de corpo dos velejadores. Possui um trapézio, que prende o velejador ao mastro.

Um dos destaques da classe no Brasil é a dupla Fernanda Oliveira e Isabel Swan, medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. A conquista foi inédita à vela feminina brasileira.

49 ER
Com 4,99 metros de comprimento, o 49 ER é uma embarcação de competição leve (dinghy). Tripulada por duas pessoas, a embarcação foi projetada na Austrália por Julian Bethwaite, em 1995. A principal característica do barco é a velocidade. É necessária uma excelente técnica e coordenação entre os tripulantes para a navegação segura e rápida.

A classe é uma embarcação olímpica desde as Olimpíadas de Sidney, na Austrália, em 2000. André Fonseca e Rodrigo Duarte foram os representantes brasileiros nos jogos olímpicos de Pequim.

Elliott 6m
Para três tripulantes, a classe será disputada pelas mulheres em 2012. A embarcação foi projetada por Greg Elliott, na Nova Zelândia, em 2000. O Elliott possui seis metros de comprimento e área vélica de 15,9 m².

Juliana Senfft e Fernanda Oliveira, destaques da Semana da Vela de Ilhabela de 2009, treinam para competir nessa classe nos jogos de Londres.


Finn
Projetada na Finlândia em 1949, por Rickard Sarby, a embarcação é tripulada somente por uma pessoa.
Como os barcos da classe Laser, o Finn possui apenas uma vela, porém o barco é quase duas vezes mais pesado.
Para que se tenha um bom controle da embarcação, o atleta deve pesar em torno de 100 quilos. É recomendada para jovens com uma boa forma física. Nessa classe, João Signorini, o Joca, é um dos principais destaques.


Laser

A simplicidade e o baixo preço do barco fazem da laser um dos barcos mais vendidos no mundo. São mais de 190 mil embarcações do tipo produzidas no mundo.

Tripulada por um velejador, o barco é veloz e pode planar em dias de vento forte. Projetado no Canadá em 1969, por Bruce Kirby a embarcação possui casco com 4,3 metros de comprimento e pesa 59 quilos. É a classe mais simples, e é também por onde iniciam a maioria dos velejadores.

A classe é subdividida em outras duas classes que farão parte dos jogos da Inglaterra: a Laser, modalidade masculina, com área vélica de 7,06 m², e a Laser Radial, feminina, com área vélica de 5,76 m². Há também a Laser 4.7, classe transitória da classe Optimist para a Radial ou Standard, mas que não faz parte dos jogos olímpicos. Até as Olimpíadas de Atenas, em 2004, a classe tinha como um dos seus principais representantes brasileiros, o medalhista Robert Scheidt. Mas em 2008, nos jogos olímpicos da China, em 2008, Scheidt disputou as provas ao lado de Bruno Prado na classe Star. Na ocasião, a dupla conquistou a medalha de prata.


Neil Pryde RS: X
Em 2008, o RS:X substituiu outra classe de windsurfe, a Mistral. As provas são disputadas individualmente, tanto no feminino quanto no masculino.

Diferentemente das outras classes, a classe tem como base uma prancha e não um barco. A velocidade varia entre 3 e 30 nós. Um dos atletas brasileiros de destaque na classe é Ricardo Winick, o Bimba, que já disputou três jogos olímpicos e é campeão brasileiro e mundial na categoria.


Star
Classe projetada nos Estados Unidos em 1911, por Willian Gardner, possui 6,9 metros de comprimento. Para dois tripulantes, o barco possui quilha, e peso no fundo do barco, que impede que o mesmo se desloque lateralmente.

Apesar de não possuir um desenho moderno, a classe continua popular e competitiva. Estima-se que exista uma flotilha de mais de duas mil embarcações participando de competições. O principal atleta brasileiro na categoria é Torben Grael. Com cinco medalhas – duas de ouro – o velejador também é considerado um dos iatistas com maior número de medalhas.



Outras classes
Também são reconhecidas pela Federação Internacional de Iatismo (Isaf) as seguintes classes: 29 ER, 420, 470, 49 ER, 505, B14, Byte, Cadet, Contender, Enterprise, Europe, Fireball, Flying Dutchman, Flying Júnior, GP 14, International14, Laser II, Lightning, Mirror, Moth, Musto Perfomance Skiff, O’pen Bic, OK Dinghy, Optimist, RS Tera, Snipe, Splash, Sunfish, Tasar, Topper, Vaurien, Zoom 8, 11 metre, 12 metre, 2,4 metre, 5,5 metre, 6 metre, 8 metre, Access 2.3, Access 303, Access Liberty, Dragon, Etchells, Flying Fifteen, H-Boat, IOD, J/22, J/24, J/80, Melges 24, Melgs 32, Micro, Platu 25, SB3, Shark, Soling, Sonar, Star, Tempest, Ultimate 20, Yngling, 60 Multihull, A-Catamaran, Dart 18, Formula 18, Hobie Dragon, Hobie 14, Hobie 16, Hobie 17, Hobie 18, Hobie Tiger, Nacra F18, SL 16, Topcat K1, Tornado, Formula Experience, Formula Windsurfing, Funboarding, Mistral, Raceboard, Speed Surfing, Techno 293, 60 Multihull, Class 40, Farr 30, Farr 40, IMA Mini Maxi, Open 60 Monohull, Swan 45, TP52, X-35, X-41, X-99, A Class, Marblehead, One Metre, Ten Rater.


ORC Internacional e ORC Club (Offshore Racing Congress)
As duas classes de vela oceânica possuem destaque no país e fazem parte de competições importantes, como a Rolex Ilhabela Sailing Week. Realizada há mais de 50 anos, a Semana da Vela é hoje o maior evento náutico da América Latina, com mais de dois mil velejadores navegando nas águas do canal de São Sebastião. Dentro dessa competição, também é realizada a final do Circuito Atlântico Sul Rolex Cup dessas classes internacionais.

Todos os barcos participantes nas classes ORC passam por um sistema de medição preciso e bem conceituado no Brasil. No caso da ORC Internacional, é reconhecida em todo o mundo.

As duas classes decidem seus vencedores por meio do sistema de tempo corrido, onde o primeiro barco a cruzar a linha de chegada não é necessariamente o ganhador da prova. O campeão pode sair de qualquer posição do meio da flotilha e, em alguns casos, pode ser até mesmo o último barco a ter cruzado a linha. No tempo corrigido, o cálculo leva em consideração as medidas de cada barco – tamanho, peso e vela – que são compensadas pelo tempo em que cada um realiza a prova. É uma maneira justa que possibilita que os barcos de diferentes portes e características possam competir lado a lado.

Já na ORC Internacional, a classe dos barcos mais velozes e modernos, a flotilha é formada por alguns veleiros feitos sob medida, para proprietários que não abrem mão da tecnologia mais avançada à bordo de seus barcos. Esses são os barcos que reúnem a elite da vela e dos velejadores profissionais de toda a América do Sul.


Thassia Ohphata
Ilustrações: Site da Federação Internacional de Iatismo (Isaf) www.sailing.org
Fotos: Fabiano Borba