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Cuidados ao encontrar animais marinhos durante a navegação

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Cuidados ao encontrar animais marinhos durante a navegação

Esporte náutico e Lazer a Bordo 07/02/2013
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A costa brasileira tem uma fauna rica, sendo possível encontrar durante os passeios de barcos pelo nosso vasto litoral muitos animais marinhos, muitos deles ameaçados de extinção. Por isso é preciso estar atento e tomar cuidado durante a navegação para não acabar ferindo um desses animais ou sofrer algum machucado quando interagir com eles. Conversamos com Cristiane Kolesnikovas, médica veterinária e presidente da Associação R3 Animal, passa saber quais cuidados devemos tomar quando nos deparamos com animais marinhos durante os passeios de lancha.

Interação

A veterinária explica que não é aconselhável se aproximar dos animais, pois a colisão com embarcações são as causas não naturais mais comuns de morte e trauma em baleias, por exemplo. O Ministério do Meio Ambiente tem até uma portaria (nº 117, de 26 de dezembro de 1996) que regulamenta o uso de embarcações e o mergulho com relação às baleias. Algumas das regras são:

  • É proibido o uso de motor engrenado a menos de 100m do animal, sendo que este deve ser religado no mínimo a 50 m do animal;
  • É proibido o mergulho a menos de 50 m do animal.


O Projeto Baleia Franca, que desenvolve uma série de atividades voltadas para pesquisa e conservação em longo prazo da espécie, também lista em seu site uma série de regras para que o contato com as baleia seja seguro para os animais e para os humanos:

  • Nunca avance bruscamente na direção das baleias;
  • Nunca se aproxime por detrás das baleias, nem intercepte o seu curso, mantenha-se afastado em posição lateral;
  • Não separe grupos de baleias ou mães de filhotes;
  • Nunca religue os motores sem avistar claramente os animais na superfície;
  • Não faça ruídos desnecessários, nem jogue qualquer objeto na água;
  • Não permaneça junto às baleias por mais de 30 minutos;
  • Nunca nade em direção às baleias.


Kolesnikovas explica que o mergulho não é aconselhável  porque esses animais, por mais carismáticos que pareçam, são animais selvagens, não estão acostumados à presença humana e podem reagir de forma inesperada a uma tentativa de interação.

No caso das tartarugas também não é bom ser descuidados. O Projeto Tamar aconselha que em caso de encontros subaquáticos o ideal é observar à distância, nunca se aproximar e jamais tentar segurar um animal, pois eles podem revidar com mordidas ou com as  unhas, causando ferimentos graves.

Acidentes

No caso de encontrar um animal ferido ou de a embarcação  feri-lo acidentalmente o socorro depende da espécie. As aves devem ser recolhidas, mantidas aquecidas e encaminhadas para um centro de reabilitação na costa.

As tartarugas devem ser levadas para um centro de tratamento veterinário ligado ao Projeto Tamar e, de acordo com a organização, é importante manter o animal com o casco sempre úmido e longe da luz do sol, para evitar desidratação.

Caso haja sinais de afogamento, a tartaruga deve ser colocada com a cabeça mais baixa que sua posição normal, em local sombreado. Não é necessário realizar massagens ou qualquer coisa parecida. Uma tartaruga só é considerada morta se em 24 horas não houver reação alguma.

Se o acidente for com mamíferos marinhos é preciso entrar em contato imediatamente com o órgão local competente (secretarias do meio ambiente, CMA/ICMBIo, centros de reabilitação de animais marinhos. Kolesnikovas também aconselha a monitorar o animal e aguardar as instruções dos órgãos em terra de como proceder. “Uma intervenção mal feita poderá acarretar mais danos ao animal,” completa a veterinária.

Marília Passos para Bombarco
Fotos: Creative Commons - Terry Howard e Daniel Schwen