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Cisne Branco: o navio veleiro da Marinha do Brasil

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Cisne Branco: o navio veleiro da Marinha do Brasil

Manutenção de Equipamentos 23/01/2013
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Em 9 de março de 2000, nas águas do Rio Tejo, exatamente 500 anos após ao início da viagem de Pedro Álvares Cabral que levou ao descobrimento do Brasil, a Marinha do Brasil incorporou a sua Armada o navio veleiro Cisne Branco. O barco foi arquitetado justamente para celebrar os 500 anos do descobrimento e permitiu que o Brasil participasse da travessia comemorativa do Atlântico com um navio de propulsão à vela.

O Cisne Branco foi construído em Amsterdã, na Holanda, pelo estaleiro Damen e sob a supervisão da Marinha brasileira. Teve sua quilha batida em 9 de novembro de 1998 e foi lançado ao mar e batizado em 4 de agosto de 1999. O projeto é baseado nos últimos Clippers do século XIX. A ideia para o navio é que ele tivesse todas as tecnologias avançadas dos tempos modernos, mas realizasse todas as manobras de convés e vela como os veleiros do século XIX, preservando as mais antigas tradições da marinharia.

Mas navio não foi construído apenas para celebrar o descobrimento, além representar o Brasil em eventos nacionais e internacionais, promovendo as tradições navais do país, o Cisne Branco também é usado no treinamento dos marinheiros. Apesar de toda tecnologia empregada na Marinha moderna, a essência da marinharia continua a ser um requisito fundamental para todos que trabalham no mar. Além das manobras de vela, tarefas nos conveses, navegação, os tripulantes também desenvolvem habilidade de trabalho em equipe e respeito pelo mar.

Em 2012. O navio participou da Operation Sail, visitando seis portos no Brasil (Maceió, Fortaleza, Belém, Natal, Cabedelo e Salvador) e nove no exterior (San Juan, Porto Rico; Nova York, Norfolk, Baltimore, Newport, Boston e New London, Estados Unidos; Ponta Delgada, Açores; e Mindelo, Cabo Verde). Seu porto sede fica na Base Naval do Rio de Janeiro, da Ilha de Mocanguê, Niterói.

Tripulação

A tripulação do Cisne Branco é composta pelo Comandante, nove oficiais, 42 praças e mais 31 marinheiros em treinamento. Todos os tripulantes são voluntários, os praças passam por entrevistas com o Encarregado da Divisão, e os oficiais são entrevistados pelo Comandante e o Imediato. Eles devem ser aprovados no TSMSV (Teste de Subida no Mastro e Saída nas Vergas). O Capitão de Mar e Guerra Nelson Nunes da Rosa é o atual e sétimo Comandante do Cisne Branco.

Origem do nome

O navio veleiro não é o primeiro barco da Marinha a ser batizado como Cisne Branco, mas o terceiro. O nome vem do hino da Marinha do Brasil, a Canção do Marinheiro: Qual cisne branco que em noite de lua/ vai deslizando num lago azul/ o meu navio também flutua/ nos verdes mares de norte a sul.”

E cisne, na heráldita (arte ou ciência de identificação, descrição e criação de brasões), também representa “boa sorte” e “feliz travessia”, o que vem a calhar quando se trata de um navio.

Curiosidade

O Cisne Branco tem assentada, na base do mastro principal do navio, uma moeda de 100 réis, cunhadas em 1936, com a imagem do Almirante Tamandaré, patrona da Marinha do Brasil. Isso vem de uma tradição naval que tem origem na mitologia grega, na qual os mortos precisam pagar o barqueiro com uma moeda para entrarem no mundo dos mortos.

Características do navio

Comprimento: 249 pés (76 m)
Boca: 10,5 m
Calado: 4,8 m
Peso: 1.038 T
Armação: Galera
Área velica: 2.195 m²
Velas redondas: 15
Velas latinas: 10
Velas auxiliares: 6
Vela de mau tempo: 1
Velocidade máxima à vela: 17,5 nós (32km/h)
Propulsão auxiliar: 1 motor diesel 1001 hp
Velocidade máxima a motor: 11 nós (20km/h)


Marília Passos para Bombarco
Foto: Reprodução/Marinha do Brasil