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Fabio Rivetti: o instrutor de futuros velejadores

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Fabio Rivetti: o instrutor de futuros velejadores

Manutenção de Equipamentos 11/01/2011
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Tudo começou quando Fabio Martins Rivetti tinha apenas sete anos de idade. O pequeno menino apaixonou-se pela arte de velejar e transformou a vela e a marinharia em estilo de vida. Hoje com 25 anos de experiência nos mares do litoral brasileiro, Rivetti é instrutor de vela na Escola de Vela de Ubatuba e responsável pela formação de mais 200 velejadores:

“No início do ano passado também assumi o projeto social do Ubatuba Iate Clube, o que me dá muito prazer. Lá atendo mais de 30 alunos”, conta Rivetti.

Dedicado e apaixonado pelo que faz, Fabio acredita que a melhor forma de aprender é ensinando:

“Ensinar, é uma atividade bem complexa. Exige uma boa dose de técnica, paciência, didática, estudo, experiência, e uma "boa dose" de humildade”, revela.

Ensinando e aprendendo

“O fato do instrutor errar é natural. A diferença é como o instrutor sai da situação? Certa vez, dando aula para um aluno em um Snipe, o vento já havia passado do que podemos considerar como tranquilo para aquele barco. Gosto muito do Snipe, mas como todos sabem, é um barquinho merrequeiro. Bom de vento fraco a médio. Notei que o aluno estava com um pouco de timidez e diria até medo, nos bordos e principalmente nos jibes.

Para demonstrar para ele que a situação estava absolutamente sobre controle, resolvi demonstrar um pouco de Roll Tack, manobra utilizada para acelerar o barco durante as cambadas, fácil no vento fraco, mas um pouco "radical" no vento forte. Passei para o leme, e o aluno ficou na proa. Dois ou três jibes mais violentos, o barquinho andando forte, orçamos e nos preparamos para um bordo. Foi aí que o vento apertou e como eu como instrutor falei para o aluno cambar a buja normalmente, levando a contra - escota consigo, e que eu me encarregaria do Roll Tack. Expliquei que tudo era apenas uma demonstração de controle do barco, que iríamos adernar um pouco, que seria meio radical, mas tudo controlado.

E foi aí que perdi o controle. No meio da manobra vi que meu aluno se complicou um pouco com a contra-escota, me desconcentrei. E confesso não estar muito acostumado com o layout daquele barco. O resultado foi um enrosco entre eu, o aluno, a cana de leme e uma escota no pé.

Percebi que ia capotar quando me vi deitado no fundo do barco, com as pernas para cima, cabeça dentro da água, o barco aquartelado (com a buja caçada a barlavento). O aluno já não via mais. Capotagem espetacular! E acredito que para os espectadores, bastante cômica!

Meu aluno na água me olhando com um certo ar de reprovação, e eu rindo. Soltei, não sei de onde, um: -"É...! Foi um pouco mais radical e menos controlado do que eu estava esperando!" "Falha minha!".

Desviramos o barco, rimos um pouco, assumi a responsabilidade pela capotagem, e continuamos a aula. Logicamente o treino de Roll Tack foi concluído em um dia de vento mais fraco. O que quero dizer com isso, é que o instrutor, por mais safo que seja, pode errar. A diferença é como ele encara o erro”.

Dicas

Segundo o instrutor Fabio Rivetti instrutores, professores, técnicos, monitores devem:

  • Errou? Assuma o erro;
  • Se não souber a resposta de uma pergunta? Pesquise e depois responda ao aluno;
  • Esteja sempre bem treinado;
  • Corrigir erros é demonstração de sabedoria;
  • Demonstre credibilidade.

 

Glossário

Barlavento: Lado de onde vem o vento;

Sotavento: Lado para onde vai o vento;

Arribar: Apontar o barco para Sotavento;

Orçar: Apontar o barco para Barlavento;

Cambada: Manobra na qual, um barco a vela muda de posição em relação ao vento, de forma que o barco (e as velas) passe a receber o vento pelo outro lado (bordo). As cambadas podem ser:

Bordo: É a manobra que utilizamos para mudar o lado pelo qual recebemos o vento, passando a proa pela linha do vento. Apontando o barco para barlavento;

Jibe: Manobra que consiste em arribar, até que o vento cruze a linha central do barco, pela popa, mudando as velas de um bordo (lado) para o outro, isto é, alterando a posição das velas, controladamente, de um lado para o outro do barco;

Escota: Cabo utilizado para "marear"- regular a posição das velas em relação ao barco;

Contra-Escota: No caso das velas de proa (Bujas, Genoas, Assimétricos) em cada um dos lados do barco temos uma escota. Quando a vela está a bombordo (esquerda) a de boreste (direita) fica solta, e vice- versa. Essa escota solta chamamos de "contra-escota";

Cana de Leme: Haste, que é utilizada para controlar um barco.

Bruna Sales para Bombarco
Foto: Bombarco