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Felipe Marinho Aidar - Do mercado financeiro para a prática de vela

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Felipe Marinho Aidar - Do mercado financeiro para a prática de vela

Manutenção de Equipamentos 16/05/2012
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Missão: Trazer cada vez mais pessoas para o time daqueles apaixonados por velejar. Pode-se definir dessa maneira o objetivo de vida de Felipe Marinho Aidar, Capitão do Veleiro Fram, instrutor da modalidade e velejador há 36 anos.

A história desse verdadeiro apaixonado pela vela começou logo cedo, quando ele tinha oito anos de idade. “Não tinha nenhuma razão para começar no esporte, a não ser a emoção. Meus pais tinham um sítio na beira da represa de Ibiúna, em São Paulo, mas ninguém na minha família velejava. Um dia um vizinho apareceu lá em casa num pequeno Star Fish, parecido com o atual Sun Fish. Foi atração imediata! Não parei mais de pensar nisso e, depois de algumas semanas, minha primeira velejada me transformou para sempre”, relembra. “Hoje percebo que desenvolvi uma relação muito íntima com coisas fluidas. O ar passando nas velas, o casco passando na água...”, completa.

Além da vela, Felipe também praticou vários outros esportes aquáticos. “Da água amo tudo! Só não joguei polo aquático... Mas pratico natação, caça submarina, mergulho autônomo, windsurf e esqui aquático. Na juventude fui surfista e também já me aventurei com os ‘kitesurf da vida’”. E, como ninguém pode ser bom em tudo, o velejador já avisa: “No futebol sou um fiasco!

Na época que começou a praticar vela, Felipe não participava de regatas. “Eu era praticamente o único velejador na represa de Ibiúna”, lembra. A participação em competições teve início no ano de 1982, quando disputou o Campeonato Brasileiro de Laser, realizado em Ilhabela. “Me dei muito mal nesse campeonato. Minha técnica era péssima, não tinha os parâmetros que outros velejadores tinham. Naquele ano o Torben foi Campeão Brasileiro de Laser com 18 anos”, conta.

As participações em campeonatos nacionais e estaduais de Laser continuaram, mas os títulos só vieram mesmo anos mais tarde, já na vela oceânica. “Desses, o mais importante foi o Campeonato Brasileiro em 2006 sob o comando do Lars Grael. Ganhamos também a Semana de Vela de Ilhabela em 2008 sob o comando do Mário Buckup. Mais tarde comecei a ganhar alguns campeonatos importantes como comandante. Os destaques foram o Circuito Ilhabela e o Campeonato Paulista, ambos em 2011. Em 2010 vencemos a Regata Recife – Fernando de Noronha (REFENO), de 300 milhas náuticas”, avalia.

Instrutor de Vela

Antes de dar aulas e se profissionalizar em vela oceânica, Felipe era executivo de investimentos em um banco. “Mas eu não perdia um final de semana em Ilhabela a bordo do meu Delta 32. Eu sempre convidada meus amigos para participarem de passeios e travessias. Por causa disso, muitas pessoas inexperientes vinham velejar comigo e eu sempre tive um prazer especial em ensinar”, relembra.

Formado em Agronomia e Administração de Empresas, com MBA na Kellogg Scholl of Management, Felipe tinha apenas um objetivo em sua vida: ganhar muito dinheiro para parar de trabalhar e apenas velejar. “Mas no meio do caminho eu descobri que era uma grande bobagem desperdiçar minha juventude em algo que eu não gostava de fazer”, afirma. Foi com esse pensamento que, em abril de 2006, Felipe passou a se dedicar apenas à vela oceânica.

Atualmente ele calcula que cerca de 450 alunos já tenham aprendido a velejar com ele. “Nos meus primeiros cursos eu era um professor mais rígido, pois queria impor meu ritmo às turmas. E queria que todos os alunos aprendessem a velejar perfeitamente com virtuosismo técnico. Com o tempo fui percebendo que cada aluno vem com um objetivo e com um sonho diferente. Uns querem aprender a velejar em regatas, outros querem ser cruzeiristas. Outros ainda não sabem bem o que querem, apenas se sentiram atraídos e querem estar a bordo, velejando.

Aprendi também a levar em conta a dinâmica descontraída da turma, que chega do estresse de São Paulo querendo relaxar. Dessa forma, de acordo com o ritmo que vai se estabelecendo, vamos tecendo momentos de lazer intercalados com aprendizado. E quando a coisa flui de verdade acontecem as duas coisas ao mesmo tempo”, conta.

Para ele, “A melhor parte de velejar é o lado humano. Velejar é a descoberta de si próprio e do próximo, através da experiência compartilhada de singrar águas cristalinas e admirar as exuberantes paisagens e a vida marinha. A amizade de um dia a bordo é mais forte do que a de meses desembarcados”,avalia.

A bordo do veleiro Fram, onde é capitão e onde realiza os cursos de introdução à vela, Felipe passa por diversas situações com os seus alunos. “Momentos divertidos e interessantes acontecem todos os dias no mar. Cada um com uma cor diferente, uma sensação nova. Algumas não tão divertidas, mas certamente sempre interessantes e intensas”, conta o capitão, que completa “Uma das coisas mais bonitas do meu trabalho é formar pessoas”.

 

Juliana Barbosa para Bombarco
Foto: Divulgação