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Kalu, capitão do Orson e diretor de vela do Yacht Club de Ilhabela

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Kalu, capitão do Orson e diretor de vela do Yacht Club de Ilhabela

Manutenção de Equipamentos 10/01/2013
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O gosto por velejar começou cedo para Carlos Eduardo Souza e Silva, mais conhecido como Kalu no mundo da vela. Natural do Rio de Janeiro, o atual diretor de Vela do Yacht Club de Ilhabela (YCI) passou as férias e fins de semana da juventude na casa de férias do pai, Homero, um aficionado por pesca de oceano, em Cabo Frio, onde hoje é a subsede do Iate Clube do Rio de Janeiro. Lá, aos 14 anos, Kalu começou a velejar de Pinguim. Três anos depois, a paixão se consolidou quando o pai comprou um veleiro. “Era um Colin Archer de uns 34 pés, um veleiro tradicional maravilhoso”, lembra o velejador.

Quando foi estudar em São Paulo, no fim da década de 1960, velejou em veleiros de oceano com alguns amigos, mas depois de uma temporada de estudos nos Estados Unidos, o velejador comprou um Hobie Cat 16 e passou dez anos velejando na classe. A volta para a vela de oceano foi gradual e nada tranquila. “Primeiro com o Claudio Kunze, colega de Hobie Cat, que me levou para velejar algumas vezes com o Nelson Bastos, no Fast 340 Revanche. Depois o Felipe Furquim, também hobie catista, me levou para correr uma regata da Laje de Santos no Half Tonner Surfer, mas tive um acidente sério na largada”, conta Kalu, que quebrou as duas pernas no acidente e ficou quase um ano parado, depois que o Half Tonner Surfer e o veleiro Normandie colidiram.

Apesar do acidente, Kalu voltou a velejar e trocou seu Hobie Cat por um Microtoner 19, o primeiro de uma série de barcos que receberia o nome de Orson. “O micro era muito divertido! Era, na época, uma das classes mais competitivas da [Represa] Guarapiranga, e nos campeonatos paulista e brasileiro ficava muito mais, pois os cobras das outras classes vinham velejar no barco para ganhar dos habitues. A disputa era brava,” conta. Mas, por mais divertido que fosse, Kalu não conseguia se acostumar de novo com as águas barrentas da represa e resolveu comprar seu primeiro veleiro de oceano, um Aruba, o segundo Orson da família. Manfred Schaffausen, o Barão, juntou a família e amigos compuseram a primeira tripulação de oceano do comandante Kalu.

O terceiro Orson foi um Delta 32, que acompanhou o velejador por sete anos. O veleiro foi vendido para Kalu por Edmar Alves, que, apesar de hoje ser skipper do atual Orson, foi um dos grandes rivais de Kalu, nas regatas. “Em 2005, depois de um período em Angra com o barco, começou minha ‘cumplicidade de vela’ com o Edmar. Nós resolvemos trocar o Orson 3 pela ultima novidade do Nestor Volker, desenhista do Delta 32, o Skipper 30,” conta Kalu. Mas como o molde do veleiro ainda estava sendo feito, o pessoal da Skipper entregou a Kalu um Skipper 21. “Naveguei dois anos no barquinho. Alguns dos meus tripulantes atuais começaram a velejar comigo nele,” lembra o comandante.

Com a proximidade da Semana de Vela de Ilhabela e nada do Skipper 30 ficar pronto, Kalu e sua tripulação decidiram apressar o processo. “Transportamos o bicho de Porto Alegre para Ilhabela e trabalhamos dia e noite. Terminamos a montagem em quatro semanas,” revela. A estreia do veleiro foi com vitória na regata de Alcatrazes. Em 2007, o barco disputou pela primeira vez o Circuito Atlântico Sul, em Punta del Este, conquistando o segundo lugar na ORC club.

O mais recente Orson foi comprado em 2008, um veleiro Malbec 360, no qual Kalu e sua tripulação vêm competindo.

 

Orson

Como você pode ter notado, todos os veleiros de Kalu recebem o mesmo nome: Orson. O velejador conta que o nome foi escolhido por uma amiga na época da compra do Microtoner 19 e, como deu sorte, não quis mais mudar. “O microtoner Orson, meu primeiro monocasco desde o Pinguim, começou a disputar a ponta e eu não quis mais mudar, pois sou supersticioso com nomes de barco”, revela.

“O barco para mim tem um espirito (tanto assim que as tripulações variam, mas ele tem uma continuidade), que é influenciado pelo nome e pelas experiências coletivas que ele proporciona a todos que velejam nele. O espírito acompanha o nome e não o casco que o portou por algum tempo”, afirma Kalu. “O Orson em 30 e poucos anos evoluiu de um 19 pés baseado na Guarapiranga para um 36 [pés] que vive na Ilhabela, já foi quatro vezes navegando para a Argentina e fez quase todas as regatas importantes do litoral sudeste. Uns bons 60 velejadores já foram tripulantes do Orson nas suas varias versões. Alguns vão e voltam, outros deixaram a sua marca e se foram e hoje velejam outros barcos e participam de outras aventuras,” completa o comandante do veleiro.

A sugestão da amiga de Kalu foi inspirada num personagem dos quadrinhos: Orson, um porco intelectual que vive numa fazenda com um pato que tem medo de água. O personagem faz parte da turma do Garfield.

 

O trabalho no Yacht Club de Ilhabela

Além do comando do Orson, aos 66 anos, Carlos Eduardo acumula também o título de diretor de vela do Yacht Club de Ilhabela. O velejador é sócio do iate clube desde 2005 e entrou para o conselho em 2007, em seguida foi indicado a Diretoria Financeira do YCI pelo então comodoro Carlos Eduardo de Macedo Costa. Quando Marco Antonio Fanucchi se tornou comodoro pediu que Kalu verificasse alternativas para um projeto de desenvolvimento esportivo da vela, mas, antes que pudesse levar o projeto adiante, o velejador precisou assumir a diretoria Náutica, uma das mais importantes do clube, onde ficou quase dois anos. A nomeação para a Diretoria de Vela veio em julho de 2012.

Fora do mundo da vela, Carlos Eduardo trabalha como coordenador de projetos de pesquisa e de consultoria a entidades governamentais da Fundação para o Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP).

Marília Passos para Bombarco
Fotos: Bombarco