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Motonáutica: Colisão na curva e a volta por cima de Lebos Ribeiro Chaguri

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Motonáutica: Colisão na curva e a volta por cima de Lebos Ribeiro Chaguri

Manutenção de Equipamentos 25/07/2013
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Como o automobilismo, a náutica também tem suas disputadas de velocidade e com as mesmas modalidades, como F1 e Fórmula Indy. Em junho, Brasília sediou o GP do Brasil, primeira etapa do Campeonato Mundial de Powerboat (UIM F1H2O World Champions), e reuniu mais de 20 mil pessoas interessadas em ver os barcos a motor rasgando as águas do Lago Paranoá. Infelizmente, um dos destaques brasileiros da modalidade, Lebos Ribeiro Chaguri, não estava na água, mas nos bastidores, atuando como comentarista.

O piloto paulistano de origem libanesa está fora das disputas desde março de 2012, quando sofreu um acidente durante a prova classificatória da Nations Cup, em Khor Fakkan, em Al Sharjah, nos Emirados Árabes, que resultou em nove meses de recuperação de um coágulo no cérebro, trombose e embolia pulmonar.

 

 

Rápido demais

Lebos conta que o campeonato havia começado bem. Depois do primeiro dia de treino, o brasileiro foi para a água para classificatória. “Eu estava em sexto na qualifying e quando faltava uns 10, 15 minutos para acabar a corrida, saí mais rápido para tentar fazer a poli, mas tinha um barco que não saia da minha frente, “ recorda. A equipe brasileira estava preocupada, pois Lebos não acelerava muito nas retas, para não entregar o jogo aos adversários, mas tentava compensar nas curvas, tentando a ultrapassagem.

O piloto do barco na frente de Lebos era Nordin Mhammed, do time de Brunei, que não abriu espaço algum para o brasileiro. Com apenas duas voltas restantes, Lebos tentou mais uma manobra na curva, jogando o barco para dentro e logo sendo seguido por Nordin, e depois jogando o barco para fora. O bruneano mais uma vez tentou fechar o brasileiro e a colisão aconteceu, a 200 km/h.

Lebos lembra que tentou se comunicar com a equipe para avisar que estava bem, mas desmaio. as próximas lembranças são da UTI: acordou no hospital local e ficou sabendo o que aconteceu. O airbag, que deveria inflar e manter o cockpit fora d’água, teve um problema e Lebos passou 53 segundos submerso, até a equipe de resgate chegar.

Depois de alguns dias na UTI de dois hospitais nos Emirados Árabes, Lebos voltou ao Brasil. Os médicos estavam preocupados com uma possível trombose e as suspeitas se confirmaram em São Paulo: trombose, embolia pulmonar e um coágulo no cérebro, o que explicou o desmaio na hora do acidente. A recuperação de Lebos durou meses, dos quais, nove foram passados longe de qualquer tipo de embarcação.

Hoje, mais de um ano após o acidente, Lebos já está completamente recuperado e liberado para correr novamente, e se prepara para disputar mais uma vez a Nations Cup, em Doha, em novembro, e em Abu Dhabi, em dezembro.

Como tudo começou

Crescendo de frente para a Represa Guarapiranga, foi difícil para Lebos Ribeiro Chaguri resistir aos esportes náuticos. Aos 11 anos, o paulistano já praticava iatismo e windsurfe; aos 13, foi a vez do skisurf; com 16, começou a ser interessar pela motonáutica, que praticou por anos até dar um tempo nas atividades náuticas.

Voltou ao iatismo em 2001, mas motonáutica só retornou a fazer parte de sua vida em 2007, quando foi chamado para ajudar na organização dos esportes náuticos da primeira Virada Esportiva de São Paulo. Inseriu o iatismo e a motonáutica na programação do evento e pouco tempo depois surgiu o convite para voltar correr. Normalmente, um piloto precisa passar pelas categorias de base antes de chegar à Fórmula Indy e F1, mas Lebos fez um teste e a Federação Paulista de Esportes Náuticos a Moto (FPENM) e pode estrear na Indy, em 2008.

No mesmo ano conquistou o terceiro lugar na última etapa do Campeonato Paulista. Em 2009, venceu o Brasileiro e o Paulista de F1. No ano seguinte terminou o Sul-Americano de F1 em sétimo e, em 2011, ficou em 10º na Nations Cup.

Hoje, aos 47 anos, Lebos divide seu tempo entre o comando de sua produtora musical e de seu barco. Acredita que faltam investimento e divulgação da motonáutica no Brasil, mas se mantém otimista, especialmente depois de ver o sucesso do GP do Brasil.


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Foto: Reprodução/Arek Rejs/
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