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Travessia em solitário: o melhor e o pior da viagem

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Travessia em solitário: o melhor e o pior da viagem

Manutenção de Equipamentos 04/04/2013
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Em janeiro de 2014, o veleiro Mussulo III vai cruzar o Atlântico, saindo da Cidade do Cabo, na África do Sul, em direção ao Rio de Janeiro, como participante da Regata Cape 2 Rio. A viagem será longa, mas não será a primeira vez que o veleiro e seu capitão José Guilherme Mendes Pereira Caldas, português de nacionalidade angolana e apaixonado pelo Brasil, atravessam juntos o oceano: em 2011, José Guilherme velejou sozinho de Lisboa até Recife a bordo do Bavaria 55, que havia acabado de sair da fábrica, na Alemanha. O velejador explica que decidiu fazer a viagem em solitário porque sempre gostou de viajar sozinho e tinha o desejo antigo de fazer uma longa viagem assim, mas também confessa que não queria ver outra pessoa como skipper de seu novo barco.

JG partiu, então, no dia 18 de agosto, de Portugal - depois de acompanhar a construção do veleiro no estaleiro e a montagem final do barco na Marina Cascais - rumo a Cabo Verde, na Costa da África. Apesar do Mussulo III ser muito novo e o velejador ainda não estar completamente entrosado, a primeira etapa da viagem foi tranquila. O velejador, que em terra firme se destaca pelo trabalho em neurorradiologia intervencionista, aproveitou os primeiros 10 dias de viagem para relaxar e refletir sobre a vida, o que uma travessia em solitário permite como nenhuma outra atividade.

E apesar de curtir todo o tempo que passou sozinho a bordo do veleiro, a parada em Cabo Verde, em Mindelo, trouxe uma agradável surpresa. Na hora de atracar no píer, JG precisou de ajuda e quem veio em seu auxilio foram dois velejadores brasileiros, que leram “São Sebastião - YCI” escrito no Mussulo III e logo se animaram por encontrar um conterrâneo. A dupla, que navegava no São Jorge, um Beneteau, também estava indo para o Brasil.

As outras companhias que o velejador teve durante a viagem foram com seu contato em Portugal, que passava previsões climáticas e conversava um pouco com o JG, e a esposa, que estava no Brasil e ligava às vezes para matar a saudade.

Segunda parte

Depois da passagem por Mindelo, velejador e veleiro voltaram para o mar e enfrentaram mais 11 dias de viagem até o Brasil. E foi justamente nessa fase que as coisas começaram a ficar emocionantes. A 700 milhas de Cabo Verde, José Guilherme começou a escutar um barulho estranho e quando foi investigar descobriu o drive do seu piloto automático pendurado, fora do lugar. “Fiquei sem meu principal tripulante. Foi preocupante”, conta o capitão.

Como estava quase no meio do caminho, voltar para Cabo Verde não era uma ideia muito atraente. Mas, felizmente, o precavido velejador tinha a bordo o material necessário para consertar o problema de montagem do veleiro. “Baixei as velas e deixei o barco à deriva. Foram oito horas de trabalho”, contou JG, que, apesar  do contratempo, não acha que o problema prejudicou tanto a viagem, porque quando se veleja assim “não se pode ficar preocupado com o tempo”.

Depois desse grande e outros pequenos ajustes que todo barco novo precisa, chegou o melhor momento da viagem: a integração entre velejador e veleiro. “Viagem em solitário precisa de harmonia com o barco”, afirmou JG. O momento de harmonia foi marcado também por uma bela paisagem, os rochedos de São Pedro e São Paulo, que o velejador descreveu como algo único.

O ponto de chegada oficial do Mussulo III foi a capital pernambucana, mas JG avistou primeiro o Rio Grande do Norte: “A chegada ao Brasil foi bastante emocionante. Ver a costa de Natal...” lembra.

A próxima aventura com Mussulo III agora é a Rolex Ilhabela Sailing Week, da qual José Guilherme participará com a tripulação que costumava competir a bordo do Hélios II, no qual o velejador também velejou. A competição funcionará como preparação para a Cape 2 Rio, que também já rendeu para o Bavaria 55 um novo dessanilizador (equipamento que transforma água do mar em água potável) e velas novas.

 

Marília Passos para Bombarco
Fotos: Divulgação