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Velejar é trabalho de equipe unida

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Velejar é trabalho de equipe unida

Manutenção de Equipamentos 27/09/2010
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Jefferson Cohen, 35 anos, é Analista de Planejamento Financeiro, e, apesar da rotina agitada, ainda reserva tempo para viajar pelo mar. Cohen contou que é apaixonado pelo velejo desde os nove anos:

“Tudo começou quando vi um velejador no canal de São Sebastião lutando contra o vento forte. Ai nasceu minha vontade de velejar”, lembra. Jefferson, também, não se esquece do primeiro barco, um Opmist, quando ainda era aluno da escola de vela do professor Mário.

Hoje ao comando do veleiro Palmares, um Delta 32, o analista e velejador mostra, com o caso relatado a seguir, um pouco da função de Secretário durante um velejo.

Ações do Secretário enfrentando ventos fortes

“No início da regata da terceira etapa da Copa Mitsubishi, no dia 19 de setembro, em Ilhabela, o inesperado aconteceu. A ação dos ventos de 15 a 20 nós com rajadas de 25 nós surpreendeu a tripulação.

Tudo estava sob controle na secretaria no momento da partida, cabos adriçados, genôa, esteira, mestra, burro (veja glossário abaixo). Caminhávamos muito bem na raia embora os ventos fossem muito fortes com rajadas de tirar o fôlego.

Após cruzarmos a primeira bóia de contra vento, subimos o balão, esteira solta, mestra solta, burro solto e genôa abaixo. O baloeiro tocava em perfeitas condições e eu, o secretário, sempre atento no barlavento.

Ao aproximar da bóia de contra vento, algo inusitado ocorreu:
O pau do balão não desceu, pois ficou preso ao stay de proa. Estresse total!

Como a tripulação é bem treinada, conseguimos entrar na raia novamente. Fizemos nossa última perna, onde era tudo ou nada. E, na secretaria atenção redobrada!

Estávamos em primeiro e com ventos de 20 nós e rajadas de 25. Cruzamos em 1º lugar. Logo em seguida aconteceu o inesperado: após cruzarmos a bóia e a comissão de regata, uma rajada de vento fortíssima balançou demais o barco e resolvemos descer o balão. Bela burrada!

Sem a genôa para cobrir o fortíssimo vento, o balão livre com a mestra o barco começou a adernar. Não havia homem para segurar aquele balão.

Assim o balão começou a bater longe do barco, os cabos não tinham mais resistência para segurar a pressão do vento e perdemos a adriça da barla sota.

Infelizmente, fizemos o improvável, pois o certo seria colocar o barco em popa rasa, pegar os cabos de sota vento e barla sota, colocar dentro da gaiuta e aí sim estourar a adriça do balão.

Por isso deixo a dica:
Com ventos fortes acima de 15 nós, o secretário tem que pensar muito e rápido antes mesmo de descer balão, genôa ou mestra. Pois ali está o comando de todos os cabos da embarcação e, algo feito de errado, pode causar sérios prejuízos ao barco e até mesmo a tripulação. Para isso, é preciso ter raciocínio rápido e muita atenção.”

Glossário

Cabo adriça – serve para elevar as velas para a navegação;

Genôa – vela que vai à frente do barco;

Esteira – regula a vela de trás chamada de mestra;

Mestra – vela grande do barco, para dar velocidade e orça na embarcação;

Burro – regula e desce mais a mestra para pegar mais vento no barco;

Sotavento – lado oposto de onde vem o vento, quando se veleja com o vento entrando pela mestra. O outro lado é chamado de barlavento;

Bóia contra vento – é quando o barco vem de balão e cruza a bóia para pegar o vento contrário;

Pau do balão – é uma barra de alumínio, e não de pau, presa perpendicularmente ao mastro (para os bordos) e a ponta do balão ou genôa para deixá-las numa determinada posição;

Stay de Proa – barra de alumínio onde sobe a genôa;

Proa – frente do barco;

Popa – parte de trás do barco;

Perna – percurso entre as bóias. Regata com duas pernas tem ida e volta;

Adenar – inclinação para um dos lados (barco começa a cair para o lado direito ou esquerdo, dependendo da direção do vento);

Adriçar – quer dizer caçar, recolher, puxar em seu favor;

Popa rasa – velejar com o vento soprando na mesma direção da embarcação;

Cabos de sotavento e barlavento – cabos do balão do lado direito ou esquerdo, dependendo a direção do vento;

Gaiuta – grande abertura usada como janela na parte superior da cabine, ou como entrada, onde se recolhe o balão;

Estourar – soltar;

Estourar a adriça do balão – soltar o cabo do balão para ele descer.

Funções da tripulação

Skipper – comandante;

Traveller – regula a Mestra, atrás do barco (popa);

Trimmer – regula a genôa, da bordos em barlavento e sotavento no balão e bordos no barco;

Secretário – regula as velas genôa, mestra, burro, esteira e desce pau do balão;

Proeiro – responsável pelos bordos no barco com o balão e por tocar o balão em vento de popa;

Segundo proeiro – ajuda o Proeiro na frente com os cabos;

Mirim – entra na gaiuta e coloca o balão para dentro do barco.

Bruna Sales e Vanessa Xavier para Bombarco
Foto:Bombarco