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Ampliação do Porto de São Sebastião

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Ampliação do Porto de São Sebastião

Mercado 15/12/2009
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Os ventos desenvolvimentistas, que sopram no litoral norte de São Paulo, têm causado também muita polêmica na região. Nos últimos tempos, um dos assuntos que mais tem rendido comentários é o projeto de ampliação do Porto de São Sebastião.

Apresentado pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), empresa do governo do Estado de São Paulo, o projeto propõe a ampliação do porto para 18 navios – inclusive de contêineres. Também está previsto o aterro do Mangue do Araçá, localizado próximo ao Farol do Moleque, numa região diminuta, sem retroárea e sem acessos convenientes.

Especialistas dizem que o impacto seria não só dos navios, mas também de tráfego de caminhões. Estima-se que com a ampliação, mais de 20 mil veículos passarão a circular na região.

Entidades sócio ambientais e também muitos moradores da região são contrários ao projeto, orçado em R$ 5 bilhões – que incluem as vias de acesso. “Está certo que é preciso ter um plano de crescimento para melhorar a condição de vida, mas é necessário algo estruturado. A cidade não vai comportar 20 mil caminhões por dia”, defende Guilherme Mendes, morador de Ilhabela.

Proeiro do barco Rainha, Mendes foi um dos participantes da Regata de Despedida do Farol do Moleque, realizada em outubro durante a terceira etapa da Copa Mitsubishi Motors 2009. O tradicional marco à navegação da região, o Farol dos Moleques será sobreposto por um dos píeres previstos no projeto de ampliação do porto.

A regata ocorreu a pedido da ONG Vivamar, uma das entidades da região que tem se manifestado desfavorável a maneira como o projeto foi apresentado. “Vamos também perder a vela, porque o projeto vai ‘tomar’ metade do canal. Teremos um crescimento econômico, mas até que ponto valeria a pena pelo desastre que vai causar?”, questiona o velejador.

Porto Sim, Mas Sem Contêiner

Região promissora, o litoral norte paulista agrupa os municípios de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Com área de dois mil quilômetros quadrados, possui uma extensa faixa de Mata Atlântica. Base para a expansão turística, a região também possui uma interface direta com as recentes descobertas de petróleo e gás na Bacia de Santos, o que reforça a vocação econômica do Porto de São Sebastião.

Para garantir a preservação e o futuro sustentável da região, a aliança Real Norte, colegiado que reúne 17 organizações ambientalistas da região, criaram o movimento Porto Sim, Mas Sem Contêiner. O objetivo da campanha é exigir que a ampliação obedeça aos princípios econômicos saudáveis e atenda a critérios ambientais e éticos.

No final de novembro, o grupo lançou o site www.semconteiner.org.br. Na página, há informações sobre as ações da campanha, imagens, documentos e opiniões de especialistas. Os apoiadores do movimento também podem enviar sugestões e também atrair outros interessados pela causa.

Também é possível acompanhar o movimento nas redes sociais Twitter e também no Facebook, “Porto sim, mas sem contêiner”.

Thassia Ohphata