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Relato de uma viagem em família pelo Atlântico a bordo do veleiro Flyer

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Relato de uma viagem em família pelo Atlântico a bordo do veleiro Flyer

Meu Barco 20/06/2012
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Velejadores, pilotos, marinheiros, proprietários de lanchas... Todos eles têm uma razão para navegar: a paixão pelo mar. Além disso, todas essas pessoas citadas acima têm outra coisa em comum: um barco capaz de tornar o sonho de cada um em realidade.


Não importa se é veleiro, jet ski ou lancha, o que vale é o que cada um é capaz de realizar a bordo. Por isso o Bombarco quer saber; “Por que o seu barco é o Bom Barco”? O que você já fez de especial a bordo dele que o torna único?


O Fábio Costantino, por exemplo, cruzou o Atlântico a bordo do Flyer, um CAL 9.2 de 30 pés. Para ele, o Flyer é um “Bom Barco” porque viajou 14.219 milhas náuticas sem sofrer nenhuma avaria. Quer saber como isso aconteceu? Então leia o relato que o próprio Fábio fez sobre a sua aventura:


“Ó Senhor, o Teu Mar é tão vasto, e o meu barco é tão pequeno... Dúvida. Será que dá?


Posso afirmar que não me sentia preparado para enfrentar uma viagem deste porte. Na verdade até Natal (RN) eu andava perturbado pela dúvida. Mas minha esposa, amada e companheira, me ofereceu uma oportunidade de decidir: Eu podia continuar a viagem para o Caribe e depois seguir para a Europa ou poderia voltar de avião para São Paulo. Assim ficou fácil.


Porque eu estava preocupado? O Flyer, nosso veleiro guerreiro, é um CAL 9.2 construído em 1986 com apenas 30 pés. A tripulação era de quatro pessoas, eu, a Miriam, o Caio e o Rafael. Barco pequeno + tripulação grande = desafio bem maior.


Estabelecemos então algumas regras e uma hierarquia foi logo definida. Eu como capitão seria o principal responsável por tudo e mandaria em tudo. Minha esposa só mandaria em mim, o Caio faria força e o Rafael seria o “Relações Públicas”.


Pronto: Estávamos em viagem. Nossa preparação começou em 2009 com a compra do veleiro e as reformas para transformá-lo em nossa casa. Foram gastos R$ 85.000 na compra do veleiro e outros R$ 70.000 nas reformas.


Começamos subindo a costa brasileira juntamente com o Cruzeiro Costa Leste de 2010 (Organizado pela ABVC). Subimos até Recife. De lá fomos para Fernando de Noronha na regata REFENO (chegamos em quarto lugar).


A costa brasileira ofereceu os maiores desafios em termos de navegação. Muito planejamento e poucas oportunidades climáticas. Na maior parte do tempo os ventos e correntes são contrárias.


De Fernando de Noronha para frente tudo pareceu mais simples. Ventos e correntes favoráveis. Paramos ainda em Natal e lá percebemos que a rotina e a vida no mar seriam possíveis. As crianças estudando no barco e a vida simples de quem tem pouca, ou quase nenhuma, preocupação com status ou com as coisas da vida em sociedade.


Minhas despesas caíram para um pouco mais que a metade do que gastava enquanto morava em terra e a vida era repleta de experiências.


Ao longo de toda a costa brasileira fomos muito bem recebidos por um povo sempre carinhoso. De Natal seguimos para Fortaleza, uma parada técnica para descanso e aguardo. Precisávamos esperar que a temporada de furacões terminasse no Caribe antes de seguir para lá.


Um mês de espera e seguimos mais para o Norte. Paramos na paradisíaca Ilha de Lençóis, no Maranhão, vida devagar para quem não tem pressa de viver... Uma namorada para o Caio e um monte de experiências para Rafael.


A hora de partir estava chegando. O Brasil ficaria para trás. Para frente só promessas de viagem ao desconhecido, pelo menos para nós.


Seguimos para a Ilha de Salut, nas Guianas, para conhecer a prisão de Papion e para pegar água e depois seguimos rumo a Tobago para chegar ao Caribe no início da temporada útil. Nossa chegada no Caribe foi em Trinidad & Tobago, um arquipélago bem próximo da Venezuela.


Resolvemos fazer algumas das reformas que faltavam no Flyer em Trinidad, então paramos em Chaguaramas (um porto de recreio e manutenção com muita estrutura náutica e preços que são imbatíveis se comparados aos preços no Brasil).


Enquanto o trabalho era a rotina diária em Chaguaramas, os churrascos foram a rotina noturna. Achamos um açougue de um argentino que tinha picanha uruguaia (mais barata que a brasileira), linguiça argentina e costela texana. Só nos restava assar.


O passeio pelo Caribe continuou, praias maravilhosas, água do mar de um azul tão agudo que eu acabei chamando de azul irritante... Grenadines, St. Vincent (e os Piratas do Caribe) e Santa Lúcia são outras ilhas por onde passamos e vivemos experiências diferentes.


Neste momento eu abandonei o passeio pelo Caribe e voltei para o Brasil. Precisava retomar alguns assuntos profissionais e pessoais, e então a Miriam, juntamente com as crianças, foi navegando de ilha em ilha (todas francesas) com minha “onipresente” ausência. Me senti ao mesmo tempo frustrado e feliz, afinal ilhas francesas são as ilhas francesas.


Ao regressar do Brasil meu foco era a preparação para primeira travessia do oceano. Já estávamos em Sint Maarten e lá fizemos as últimas reformas e instalações no Flyer. Já nos sentíamos seguros e equipados para o que viesse. As experiências se acumulando e a insegurança sendo substituída pelo respeito e planejamento. Tudo estava pronto. E mais uma namorada foi acrescentada na “listinha” do Caio.


A travessia do Atlântico seguiu uma rotina simples e foi uma navegação de 24 dias e noites sem qualquer incidente de verdade. Estar no meio do Oceano dá uma dimensão exata de quanto nós somos insignificantes. Durante toda a viagem a única preocupação eram as previsões meteorológicas e a navegação. Até que recebemos um aviso de furacão vindo em nossa direção, mas no final ele foi perdendo força e se dissipou pouco antes de chegar onde estávamos.


Chegamos nos Açores. O que seria uma passagem técnica com destino a Portugal transformou-se numa convivência maravilhosa com pessoas e lugares que jamais esqueceremos.


O momento de terminar a travessia acabou chegando e nós, com extrema relutância, nos preparamos para última perna da viagem. Tudo ocorreu dentro do planejado e acabamos chegando em Portugal no prazo previsto.


Depois, entre partidas e chegadas, aportamos em Gibraltar. De Gibraltar exploramos a Espanha. Depois de explorar a região em volta e aprender a conviver com costumes diferentes, nos preparamos para começar a viagem de volta.


Parada técnica em Portimão, pintura de fundo e manutenção preventiva, e pronto! O Flyer estava pronto para retornar ao Brasil. Começou então o clima de retorno.


Seguimos para as Ilhas Canárias. Fizemos novos amigos e conhecemos outra estrutura náutica de fazer inveja a qualquer país do mundo. Outra namorada do Caio (A Miriam gostou muito da Isabela, mas navegar é preciso!). Ficamos em Las Palmas. Fizemos muitos passeios pela ilha e muitas incursões gastronômicas.


Ficamos adiando nossa partida até que o momento chegou. Saímos à noite, sem despedidas...


Pela frente a última etapa da viagem antes da travessia de volta. Paramos em Cabo Verde para suprimentos e água. Parada complicada: perdemos metade da tripulação! Ficamos somente eu e o Caio a bordo. A Miriam e o Rafael voltaram para o Brasil de avião porque o pai dela estava muito doente.


A travessia do Atlântico entre Cabo Verde e Salvador ocorreu em 20 dias. Durante esta travessia fomos alcançados por uma tempestade de areia em pleno oceano. O que deu uma dimensão verdadeira da expressão “Poeira em alto mar”. A poeira encobriu o sol por três dias inteiros. Foi impressionante!


Chegamos ao Brasil dentro do previsto e descansamos em Salvador. Compramos suprimentos, combustível e seguimos rumo à Ilhabela onde o Flyer pode, enfim, descansar na poita após ter percorrido 14.219 milhas náuticas.


Agora se você me perguntar por que meu barco é um bom barco, eu não tenho palavras para elogiá-lo, só histórias e milhas navegadas, sempre em segurança e com a galhardia de um guerreiro corajoso e destemido. GRANDE FLYER!”


Também quer contar por que o seu barco é o “Bom Barco”? Entre em contato com a gente pelo e-mail imprensa@bombarco.com.br e compartilhe a sua história com a gente! E, para saber mais sobre a aventura do Fábio e de sua família, acesse - paraondeoventovai.blogspot.com.br


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Foto: Divulgação