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Mercado náutico - Com aquecimento de vendas entrega é o desafio

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Mercado náutico - Com aquecimento de vendas entrega é o desafio

05/11/2020
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O cenário de pandemia trouxe muitas surpresas para o mercado náutico. A mais positiva foi um forte aquecimento nos negócios assim que passou aquele susto inicial, com muita gente enxergando nos barcos uma forma mais segura de lazer em família. Mesmo com o distanciamento social, que cancelou e adiou grandes eventos de lançamentos no mundo todo, diversos estaleiros nacionais trouxeram novidades para o ano – que foram apresentadas durante a Primeira Feira Virtual de Barcos do Brasil, em julho passado, a Virtual Bombarco Show. Ao mesmo tempo, a procura por embarcações no site Bombarco, líder e principal indicador do segmento, cresceu 70% em comparação ao mesmo período do ano passado.

 

Mas toda essa procura chegou junto com um desafio. Durante a pandemia, a produção de muitos dos insumos necessários para a fabricação de lanchas foi reduzida, da fibra até o motor. Com a demanda em alta e a oferta em baixa, os preços destes insumos sofreram reajustes expressivos inesperadamente. Juntou-se a isso a disparada do dólar frente ao real e a coisa ficou realmente complicada. A grande questão para os estaleiros passou a ser como fazer para manter os preços e os prazos de entrega acordados.

 

Para entender melhor como isso está afetando a produção e impactando o consumidor final, conversamos com Marco Schmidt, yacht designer do estaleiro NHD, de Itajaí, em Santa Catarina. Ele conta que, além do preço da resina, do inox e de alguns outros insumos terem subido, a disponibilidade dos produtos importados está comprometida. “O conjunto inox do barco aumentou aproximadamente 20%. A espuma, usada nos estofados, aumentou 30% por falta de matéria prima. E o mais crítico são os produtos eletrônicos importados. Todos os itens importados estão em falta ou demoram 40 dias para chegar”. A estratégia mais utilizada para tentar driblar isso tem sido a de imobilizar os recursos para ter estoque e não prejudicar a entrega das embarcações dentro do prazo.

 

Os gastos com eletrônicos também sofreram grande impacto, uma vez que grande parte é importada, logo, acompanha o dólar. Placas eletrônicas e motores foram os primeiros a dar sinais de alta. Schmidt pontua “Isso afeta as opções na pronta entrega, caso o cliente compre uma embarcação neste período de verão. Tivemos um aumento do preço do motor de cerca de 20%".

 

Questionado sobre a previsão de retorno à normalidade, Marco explica: “Os fornecedores não conseguem definir um prazo para a normalidade. Cresceu consideravelmente a procura de novas embarcações. A demanda aumentou muito para o mercado náutico inteiro, e o agravante dessa maior demanda num período de baixa disponibilidade de materiais e de eletrônicos para pronta entrega, é uma combinação ruim para os negócios.” A expectativa é de que, com a retomada de diversos setores, a produção possa, em dado momento, equiparar-se à demanda, retraindo um pouco os custos. Mas enquanto isso não acontece, os preços finais e prazos de entrega de embarcações irão continuar sujeitos a alterações.

 

Outros estaleiros relatam estar enfrentando a mesma problemática. Allan Cechelero, responsável pelo marketing da paranaense Triton Yachts, pontua que os primeiros insumos e produtos que aumentaram foram aqueles que são importados, que tem o preço base em dólar. “Motor, gerador, ar condicionado, ferragens de inox, vigias, gaiutas, componentes elétricos, e outros itens, acabaram afetando significativamente a produção dos barcos, uma vez que eles são vendidos a preço fixo, além de que a demora para a entrega pode chegar a até 6 meses.” Cechelero também mostra certa preocupação quanto à estimativa do retorno dos preços à normalidade: “Aqui no Brasil dificilmente ocorre diminuição dos preços, uma vez aumentado.” E completa com os números atuais: “Já tivemos um aumento em torno de 20%. Como o dólar já subiu 40%, esperamos outros 20% em breve.”

 

Ainda que as previsões sejam incertas, tudo indica que esse é um cenário temporário, que deve se normalizar no início do próximo ano. Com a produção suspensa em diversos setores industriais, o fornecimento de matéria prima para a fabricação de embarcações foi afetado. Mas diante de estoques baixos e uma pressão da demanda dos estaleiros, várias empresas fornecedoras já trabalham a todo vapor, tentando repor o tempo perdido.

 

No caso da curitibana Kapazi, marca líder de mercado em pisos para embarcações, ter um bom estoque permitiu lidar com a situação de uma maneira que os clientes não fossem prejudicados. Fernando Soares, gerente da Kapazi Náutica, conta que a situação desafiadora do mercado atingiu a todos: “Tivemos sim um aumento forte na resina, vindo de fornecedores como a Brasken e Unipar, num primeiro momento em torno de 7% e num segundo momento de 15%. Isso naturalmente a gente precisou repassar, os 7%, porém estrategicamente em alguns canais, alguns clientes que nós temos, nós não repassamos esse aumento dado ao estoque que a indústria já tinha. O que nos preocupa em relação a isso é a limitação de entrega pelos fornecedores de resina, devido a falta de matéria-prima no mercado”.

 

Fernando prossegue deixando claro que o aumento da demanda deve ser visto como algo positivo, mesmo que gere algumas dificuldades: “Realmente vivemos um momento de muitas vendas. Aumentamos o nosso prazo de entrega, aumentamos o tempo de entrega dos projetos como um todo. Aqui no setor náutico, são recordes atrás de recordes”. Mas a empresa em nenhum momento enxerga a possiblidade de não atender seus clientes a contento, inclusive por ter outra planta em construção no estado do Alagoas e o projeto já estar sendo acelerado para ser inaugurado no início de 2021.

 

Isso vai permitir que a Kapazi atenda a demanda sem ter que recorrer a importações, que, segundo Fernando, devido ao atual valor do dólar, estão fora de cogitação: “As incertezas fiscais por parte do governo brasileiro deixam o mercado internacional tenso, dificultando o acesso a alternativas fora do território nacional”.

 

Essas dificuldades pelas quais o mercado está passando certamente terão algum tipo de impacto direto nos negócios que deverão ser realizados nesse final de ano. Por isso, quem tem pressa em adquirir uma embarcação, pode levar em conta outras opções, como a compra de um barco usado ou a compra compartilhada de cotas (mais sobre essa opção e os valores aqui nesta matéria). 

 

É claro que para os potenciais compradores, segue valendo pesquisar muito e entrar em contato com os estaleiros da preferência de cada um. Nossa sugestão é para que os apaixonados por barcos continuem acompanhando e analisando o momento do mercado náutico aqui no Bombarco, inclusive já sabendo que para 2021 estão programados eventos que irão oferecer as melhores condições do mercado, que até lá já deverá estar mais perto do seu equilíbrio entre demanda e entrega.

 

Redação: Bombarco