Oceanwalker apresenta o S60 Revolution Edition, catamarã de 60 pés desenvolvido para o mercado global
Fabricado na China, o Oceanwalker S60 Revolution Edition foi projetado para atender mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia. O modelo combina adaptações de projeto, fornecedores globais e soluções voltadas à navegação de longo alcance.
Após apresentação durante o Palm Beach International Boat Show, na Flórida, o Oceanwalker S60 Revolution Edition passou a representar um novo momento na estratégia internacional do estaleiro chinês Oceanwalker. Fabricado na China e desenvolvido para atender mercados como Estados Unidos, Europa e, em breve, Brasil, o catamarã de 60 pés foi concebido para combinar navegação de longo alcance, autonomia operacional e uma configuração baseada em equipamentos de fornecedores globais, reduzindo barreiras normalmente associadas à assistência técnica e manutenção de embarcações produzidas fora dos tradicionais polos da construção naval.
O lançamento acontece em um momento de transformação da indústria náutica chinesa. Durante muitos anos, diversos estaleiros do país concentraram sua produção na fabricação para terceiros, construindo embarcações comercializadas sob marcas internacionais. Agora, parte dessa indústria busca consolidar marcas próprias voltadas ao segmento premium, competindo diretamente em mercados onde predominam fabricantes europeus, norte-americanos e australianos.
É nesse cenário que surge o Oceanwalker S60 Revolution Edition.
Além de apresentar um novo modelo, o projeto procura demonstrar a capacidade da indústria chinesa de desenvolver uma embarcação destinada desde a sua concepção ao mercado internacional. Isso significa adequar dimensões, materiais, especificações técnicas e fornecedores às exigências encontradas em diferentes regiões do mundo.
Durante a navegação realizada entre Palm Beach e Fort Lauderdale, na costa da Flórida, foi possível conhecer em detalhes o projeto desenvolvido pela Oceanwalker em parceria com a Revolution Marine Group, empresa responsável pela representação internacional da marca e que participou diretamente da adaptação do modelo para mercados fora da China.
O S60 possui configuração típica de um catamarã de longo alcance. São dois cascos paralelos que privilegiam a estabilidade e ampliam significativamente a área útil da embarcação. O projeto acomoda até 12 pessoas para pernoite distribuídas em quatro suítes e pode receber aproximadamente 40 pessoas durante os passeios diurnos.

A distribuição dos ambientes evidencia uma das principais características desse tipo de embarcação: a utilização da largura total do casco para criar áreas sociais amplas, circulação contínua entre ambientes internos e externos e múltiplos espaços destinados ao convívio dos passageiros.
Na popa, uma plataforma submergível facilita o embarque e a operação com equipamentos de lazer. O cockpit integra duas mesas independentes, espaço gourmet completo, churrasqueira, freezer, geleira, bancadas em Corian e diversos compartimentos destinados ao armazenamento de utensílios e equipamentos.
O salão principal amplia essa integração por meio de portas retráteis de vidro, eliminando praticamente a separação entre interior e exterior quando abertas.
No flybridge, além do posto de comando superior, o projeto reserva espaço para áreas de convivência e incorpora parte do sistema de geração elétrica por meio de painéis solares instalados na cobertura.
Embora o layout chame atenção pelo aproveitamento dos espaços, o foco do projeto não está apenas na habitabilidade. A embarcação foi concebida para longos períodos de navegação, característica percebida tanto na organização dos ambientes quanto na escolha dos sistemas embarcados.
Ao contrário de projetos que utilizam fornecedores restritos ao país de fabricação, o Oceanwalker S60 reúne equipamentos amplamente conhecidos no mercado internacional. Entre eles estão eletrônicos Garmin, gerenciamento elétrico Victron Energy, climatização Dometic, propulsores de manobra Sleipner, sistema de áudio Fusion, motores Cummins, vasos sanitários Tecma e diversos outros componentes produzidos por fabricantes com rede global de assistência.
Segundo representantes da Oceanwalker, essa padronização busca facilitar a manutenção, reposição de peças e suporte técnico independentemente do país onde a embarcação estiver operando.
Projeto passou por revisão para atender diferentes mercados

Boa parte dessa adaptação ocorreu antes mesmo do início da produção em série.
A Yacht Designer Juliana Miguel, da Revolution Marine Group, explica que o projeto original passou por uma revisão completa para atender aos padrões exigidos pelos mercados norte-americano e europeu:
"O trabalho com a Revolution começou quando encontramos o estaleiro e vimos que havia muito potencial no projeto. Mas ele precisava de algumas adaptações para os mercados americano e europeu."
Segundo Juliana, a revisão envolveu aspectos estruturais, ergonômicos e também a especificação de materiais:
"Revisamos alturas de teto, armários, fizemos uma revisão completa e depois passamos para a seleção de materiais e de fornecedores."
Ela explica que outro desafio foi substituir componentes pouco conhecidos fora da Ásia por fabricantes já consolidados internacionalmente. "Eles trabalhavam com alguns fornecedores que não eram conhecidos na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos. Essa também foi uma parte importante do trabalho."
Além da adaptação técnica, Juliana passou a atuar também na expansão internacional do projeto.
No interior da embarcação, a proposta adotada buscou privilegiar soluções duradouras em vez de tendências estéticas passageiras. Segundo a designer, a intenção foi desenvolver um ambiente que permanecesse atual ao longo do tempo.
Esse conceito aparece na predominância de tons claros, madeira natural, pedras de acabamento contínuo, iluminação indireta regulável e grandes superfícies envidraçadas, favorecendo iluminação natural e ventilação cruzada.
Outro aspecto observado durante a visita técnica foi a preocupação com a precisão construtiva. Diversos elementos estruturais utilizam encaixes ocultos, reduzindo parafusos aparentes e minimizando folgas entre madeira, vidro, aço inoxidável e revestimentos.
Mais do que um recurso estético, esse tipo de solução também contribui para facilitar futuras manutenções e preservar o acabamento ao longo do tempo.
Estratégia global passa pela escolha dos fornecedores
Além da revisão do projeto, a Oceanwalker adotou uma estratégia voltada à padronização dos equipamentos embarcados. Em vez de concentrar o desenvolvimento em componentes próprios ou fornecedores restritos ao mercado chinês, o estaleiro optou por integrar sistemas produzidos por empresas já consolidadas internacionalmente.
Essa decisão aparece em praticamente todos os sistemas do S60 Revolution Edition. A embarcação utiliza eletrônicos Garmin para navegação, gerenciamento elétrico da Victron Energy, climatização Dometic, propulsores de manobra Sleipner, sistema de áudio Fusion, vasos sanitários Tecma, além de motores Cummins de 600 hp e equipamentos produzidos por fabricantes com atuação global.
Segundo Henry, diretor comercial global da Oceanwalker, essa escolha faz parte da estratégia de posicionamento internacional da empresa:
"Somos uma marca nova, mas queremos trazer algo diferente. Queremos levar para a indústria náutica a inovação e a tecnologia que outras indústrias chinesas já demonstraram para o mundo."
Henry afirma que o objetivo não é competir apenas pelo preço, mas desenvolver uma embarcação capaz de atender às expectativas de proprietários que navegam em diferentes regiões.
Segundo ele, outro ponto central do projeto está no gerenciamento de energia. "Introduzimos um sistema de gerenciamento de energia a bordo para permitir períodos maiores de navegação e permanência fundeada. Isso faz parte do valor que queremos entregar ao proprietário."
A proposta é reduzir a dependência do gerador durante a operação diária, utilizando um conjunto composto por alternadores de alta capacidade, bancos de baterias, inversores e painéis solares distribuídos na embarcação.
Essa solução busca ampliar a autonomia energética durante a permanência em fundeio e diminuir a necessidade de funcionamento contínuo do gerador, reduzindo consumo de combustível, ruído e horas de manutenção.
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Redundância dos sistemas é uma das características do projeto
Embora a maioria dos catamarãs já utilize dois motores independentes, o Oceanwalker S60 amplia esse conceito para outros sistemas da embarcação.
Cada casco abriga uma casa de máquinas independente, enquanto equipamentos considerados essenciais também possuem redundância operacional.
Além da dupla motorização, a embarcação conta com dois dessalinizadores, duas âncoras, sistemas elétricos redundantes, bancos de baterias de grande capacidade e geração complementar por meio de painéis solares.
Segundo o capitão Kyle, responsável pela operação do barco durante a navegação na Flórida, essa configuração oferece maior segurança em viagens de longa duração:
"Como capitão, eu precisava de um barco no qual pudesse confiar. Quando levo uma família para navegar, preciso saber que a embarcação continuará operando mesmo diante da falha de algum equipamento."
Ele explica que essa filosofia reduz a dependência de um único sistema para manter o barco em operação. "Os catamarãs já são conhecidos por utilizarem dois motores, mas aqui também temos dois dessalinizadores, duas âncoras, redundância no sistema elétrico, banco de baterias, inversores e painéis solares."
Para o comandante, a redundância também representa maior tranquilidade para quem utiliza o barco em viagens prolongadas. "Não precisamos manter o gerador ligado o tempo todo quando estamos fundeados. Isso reduz consumo de combustível, manutenção e melhora a experiência de quem está a bordo."
Construção prioriza acesso aos sistemas e manutenção
Durante a visita técnica, outro aspecto observado foi a organização dos compartimentos destinados aos sistemas da embarcação.
Os painéis elétricos ficam concentrados em áreas de fácil acesso, com identificação individual dos circuitos e disjuntores. Da mesma forma, os compartimentos hidráulicos, sistemas de climatização, dessalinização e geração elétrica foram distribuídos de forma a facilitar inspeções e intervenções técnicas.
Nas casas de máquinas, o espaço disponível permite acesso aos motores e aos equipamentos periféricos sem a necessidade de desmontagem de mobiliário interno.
A própria estrutura recebeu tratamento específico para ambientes marítimos, incluindo revestimentos resistentes à umidade e isolamento térmico e acústico nas áreas técnicas.
Outro detalhe observado durante a apresentação foi a utilização de espumas estruturais em PVC expandido na construção dos cascos, solução amplamente empregada em embarcações destinadas à redução de peso e aumento da rigidez estrutural.
Segundo representantes do estaleiro, o objetivo foi desenvolver uma embarcação preparada para navegação oceânica, mantendo facilidade de manutenção ao longo de sua vida útil.
Autonomia privilegia navegação de longo alcance
Durante a navegação realizada entre Palm Beach e Fort Lauderdale, o Oceanwalker S60 operava a aproximadamente sete nós.
Segundo Kyle, nessa condição o consumo registrado era de cerca de 12 litros por hora, permitindo uma autonomia próxima de 4 mil milhas náuticas, dependendo das condições de carga, mar e velocidade.
"Nessa velocidade conseguimos uma autonomia próxima de quatro mil milhas náuticas. Podemos navegar mais rápido, naturalmente reduzindo esse alcance, mas essa configuração privilegia eficiência e conforto."
Embora os números variem conforme as condições de operação, a proposta do modelo está voltada para deslocamentos prolongados, característica reforçada pela própria arquitetura do catamarã.
Os dois cascos estreitos reduzem a resistência hidrodinâmica, enquanto a largura da embarcação aumenta a estabilidade durante a navegação, especialmente em travessias de maior duração.
Essa configuração também permite distribuir melhor os ambientes internos, criando áreas independentes para hóspedes, tripulação e operação.
Capacidade para longas permanências a bordo
O Oceanwalker S60 Revolution Edition foi projetado para receber até 12 pessoas em pernoite, distribuídas em quatro suítes, além de duas cabines destinadas à tripulação. Durante o dia, a configuração permite acomodar aproximadamente 40 pessoas utilizando diferentes áreas da embarcação.
O salão principal concentra cozinha, área de refeições e espaço de convivência integrados ao cockpit por meio de amplas portas retráteis de vidro. Na área externa, a cozinha gourmet reúne churrasqueira, freezer, geleira, pia e bancadas em Corian moldadas em peça única, solução que reduz emendas e facilita a limpeza.
A distribuição dos ambientes também buscou minimizar interferências entre as diferentes atividades realizadas a bordo. Enquanto a cozinha principal atende às refeições, o cockpit oferece áreas independentes para convivência e alimentação, permitindo que diferentes grupos utilizem os espaços simultaneamente.
Outro aspecto observado durante a visita foi a quantidade de compartimentos destinados ao armazenamento. Armários, gavetas e paióis estão distribuídos em praticamente todos os ambientes da embarcação, característica importante para quem permanece embarcado por períodos mais longos.
Nas cabines, além dos armários, o projeto incorpora tomadas, carregadores por indução e banheiros privativos. As bancadas utilizam Corian e os boxes contam com divisórias em vidro temperado, enquanto a iluminação combina luz natural e sistemas de LED com intensidade regulável.
Segundo Juliana Miguel, a proposta foi desenvolver interiores capazes de permanecer atuais ao longo dos anos, sem depender de soluções estéticas passageiras.
A predominância de tons neutros, madeira natural, pedras claras e iluminação indireta procura criar ambientes discretos e funcionais, enquanto grandes superfícies envidraçadas favorecem a entrada de luz e a ventilação cruzada.
Oceanwalker amplia estratégia de internacionalização
A participação no Palm Beach International Boat Show marcou um dos primeiros grandes movimentos da Oceanwalker para consolidar sua presença fora da Ásia.
Embora o estaleiro tenha origem na China, o desenvolvimento do S60 Revolution Edition demonstra uma estratégia voltada desde o início aos mercados internacionais. Essa abordagem envolve não apenas adaptações no projeto, mas também uma estrutura comercial e técnica preparada para atender proprietários em diferentes regiões.
Segundo Henry, a receptividade durante o evento confirmou o interesse do mercado por uma embarcação com essas características.
"Apresentamos o barco para nossa equipe nos Estados Unidos, para nossa rede de distribuidores e para muitos visitantes durante o salão. Foi uma oportunidade importante para mostrar o que estamos desenvolvendo."
Além dos Estados Unidos, a Oceanwalker já atua em mercados como Dubai e Singapura e pretende ampliar sua presença em outras regiões. Entre elas está o Brasil, mercado citado pela própria Revolution Marine Group como parte da estratégia de expansão da marca.
A participação de Juliana Miguel nesse processo vai além do desenvolvimento dos interiores. A designer também atua na adaptação do produto para novos mercados, considerando aspectos culturais, exigências regulatórias e preferências dos consumidores.
Esse tipo de trabalho tornou-se comum entre fabricantes que pretendem atuar globalmente. Em vez de oferecer o mesmo projeto para todos os países, os estaleiros passaram a realizar adaptações específicas conforme o perfil de cada mercado, desde a escolha de materiais até alterações de layout e especificações técnicas.
Um projeto voltado ao mercado global
O Oceanwalker S60 Revolution Edition surge em um momento de transformação da indústria náutica internacional. Nos últimos anos, estaleiros chineses ampliaram investimentos em desenvolvimento de produto, tecnologia e controle de qualidade, buscando reduzir a dependência da fabricação para terceiros e fortalecer marcas próprias.
Nesse contexto, o S60 representa mais do que um novo modelo no portfólio da Oceanwalker. O projeto reúne características que respondem a demandas comuns entre proprietários de embarcações de longo alcance: autonomia, facilidade de manutenção, disponibilidade internacional de peças e sistemas redundantes capazes de aumentar a segurança operacional.
Ao mesmo tempo, evidencia uma mudança na forma como fabricantes chineses procuram competir no mercado internacional. Em vez de concentrar seus diferenciais exclusivamente no custo de produção, passam a investir em desenvolvimento de projeto, engenharia, especificação de componentes reconhecidos mundialmente e adaptação às exigências dos diferentes mercados onde pretendem atuar.
Se a estratégia se consolidará nos próximos anos dependerá da aceitação do mercado e da capacidade da Oceanwalker de expandir sua rede internacional de distribuição e pós-venda. O lançamento do S60 Revolution Edition, entretanto, indica que o estaleiro pretende disputar espaço em um segmento tradicionalmente ocupado por fabricantes europeus e norte-americanos, utilizando uma combinação de produção chinesa, engenharia adaptada e componentes de alcance global.
Contatos:
Revolution Marine Group - https://revolutionmarinegroup.com/oceanwalker-yachts/s60/
Juliana Miguel - https://www.instagram.com/juliana.m.design/
Redação: Bombarco