Produção de píeres flutuantes de concreto envolve projeto sob medida e engenharia aplicada

Produção de píeres flutuantes de concreto envolve projeto sob medida e engenharia aplicada
Pier Brasil na Marina Guarujá

Ao embarcar ou desembarcar, seja em uma marina, rampa pública, represa ou área portuária, há um elemento essencial para a operação e que costuma passar despercebido: o píer. É ele o primeiro ponto de contato entre a embarcação e a terra firme, responsável por garantir segurança, estabilidade e acesso.

Para entender mais, o Bombarco visitou o escritório e a fábrica da Pier Brasil, em Cotia (SP), acompanhou de perto o desenvolvimento e a produção de píeres flutuantes de concreto utilizados em diferentes regiões do país.

A visita começou no escritório da empresa, onde os fundadores Richard Kubail e André Pagliaro apresentaram o histórico da Pier Brasil e a lógica de trabalho baseada em projetos sob medida. Segundo os responsáveis, cada obra é tratada de forma individual, considerando características do local, tipo de uso, embarcações envolvidas e condições ambientais.

“Os módulos são padronizados em tamanho e sistema, mas cada obra é um projeto completo, porque envolve desde a fixação até logística, instalação e uso final”, explicou Kubail. Atualmente, a Pier Brasil soma mais de 24 mil metros quadrados de píeres instalados e mais de mil módulos em operação no Brasil.

A atuação da empresa vai de píeres residenciais, em represas e lagos, até estruturas para marinas, operações portuárias, praticagem, serviços náuticos e apoio industrial. “A gente atende desde quem tem uma casa na beira da represa até grandes marinas e operações de serviço”, afirmou.

Origem do projeto e desenvolvimento técnico

A história da Pier Brasil começou em 2006, a partir de uma demanda pessoal. Richard, já envolvido com o meio náutico, precisava de um píer em sua propriedade e encontrou limitações nas soluções disponíveis. A partir disso, buscou alternativas e chegou ao conceito de um píer flutuante de concreto. O encontro com André e seu pai, que já atuavam no setor de pré-moldados, permitiu transformar a ideia em um sistema estruturado.

“A necessidade trouxe a ideia, e a parte industrial e de engenharia permitiu desenvolver o produto”, resumiu Pagliaro. A empresa foi formalmente constituída em 2008 e, desde então, os sistemas vêm sendo aprimorados. Hoje, a Pier Brasil trabalha com cinco sistemas diferentes, aplicados conforme a necessidade de cada obra.

“Na prática, a gente presta uma consultoria técnica. Muitas vezes o cliente chega com uma ideia pronta, e nosso papel é mostrar as alternativas e indicar a solução mais adequada”, disse Kubail.

Da engenharia à fábrica

Na sequência, a equipe do Bombarco acompanhou a visita à fábrica, instalada em uma área de aproximadamente 21 mil metros quadrados. O processo começa pela produção das armaduras de aço, todas cortadas e dobradas de forma automatizada a partir de projetos definidos em computador. As peças seguem para a concretagem em formas específicas, utilizando concreto de alto desempenho.

Segundo André, o concreto empregado foi desenvolvido para baixa absorção de umidade, maior durabilidade e menor necessidade de manutenção. “É um material inerte, não polui e não se degrada com o tempo como outras soluções”, afirmou.

Os módulos são preenchidos internamente com EPS (Poliestireno Expandido), garantindo flutuação, e recebem acabamentos funcionais, como superfícies vassouradas antiderrapantes. Durante a visita, foi possível observar módulos para diferentes aplicações, desde estruturas intermediárias para represas até sistemas mais robustos, projetados para suportar cargas elevadas e condições de mar.

Fixação, estabilidade e conforto

Um dos pontos destacados durante a visita foi a variedade de sistemas de fixação. Dependendo do local, o píer pode ser estabilizado por passarelas, estacas metálicas ou de concreto, colares deslizantes e sistemas de ancoragem. Em marinas sujeitas à variação de maré, por exemplo, o píer sobe e desce verticalmente, mantendo a estabilidade lateral.

“O objetivo é garantir que o píer acompanhe o nível da água sem perder o alinhamento”, explicou André. Esse tipo de solução é comum em clubes náuticos e portos.

Outro aspecto técnico é o peso dos módulos. Enquanto sistemas leves de tambor e madeira têm baixa inércia, os píeres de concreto trabalham com cargas que variam de 250 a 450 kg por metro quadrado, dependendo do modelo. “No sistema pesado, a capacidade chega a 350 kg por metro quadrado, equivalente a uma laje residencial”, detalhou André.

Essa característica contribui para a estabilidade e para a redução de movimentos e ruídos. “O píer não range. Para quem passa a noite com o barco atracado, isso faz muita diferença”, comentou Richard.

Materiais, manutenção e durabilidade

As passarelas e decks podem ser configurados em alumínio, aço galvanizado ou madeira certificada, sempre com fixações metálicas e parafusos de inox. A escolha dos materiais visa facilitar a manutenção e prolongar a vida útil das estruturas.

“A manutenção preventiva é simples e pensada desde o projeto”, explicou Richard. A empresa recomenda inspeções semestrais, que podem ser realizadas pela própria Pier Brasil ou pelo proprietário, já que os sistemas são desmontáveis e permitem substituição pontual de componentes.

Todos os acessórios — como cunhos, colares, parafusos e sistemas de ancoragem — são fabricados em inox ou aço galvanizado a fogo, conforme a aplicação. Em áreas públicas ou de maior risco de vandalismo, a empresa opta por soluções mais robustas.

Informações adicionais sobre os projetos e sistemas assista ao vídeo completo.

Aplicações e soluções integradas

Além dos píeres, a Pier Brasil atua na integração de soluções complementares, como passagens técnicas para elétrica e hidráulica, todas embutidas e protegidas dentro da estrutura de concreto. Também oferece projetos que incluem áreas de lazer, como plataformas maiores, gazebos e espaços de convivência sobre o píer.

Durante a visita, Richard também destacou a recente parceria que torna a Pier Brasil distribuidora exclusiva no país dos equipamentos Marine Travelift, utilizados para movimentação de embarcações de grande porte em marinas e estaleiros. A linha inclui equipamentos com capacidade de 35 a 1.500 toneladas, além de soluções industriais para movimentação de cargas.

Olhar para a operação náutica

Ao final da visita, a equipe do Bombarco destacou a importância de compreender o píer como parte fundamental da operação náutica. Mais do que um ponto de apoio, trata-se de uma estrutura técnica que envolve engenharia, segurança, durabilidade e adaptação ao ambiente.

“Quando a gente navega pelo Brasil e vê um píer, dificilmente pensa em tudo que existe por trás daquele projeto”, comentou Fabiano Borba durante a visita. A proposta do conteúdo foi justamente mostrar esse processo e as soluções aplicadas pela Pier Brasil em diferentes cenários.

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Contato: Pier Brasil
https://pierbrasil.com.br/
https://www.instagram.com/pierbrasilflutuantes/

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Redação Bombarco

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